Cinco hábitos menos óbvios que ajudam o sistema imunológico
Sono regular, atividade física, controle do estresse, atenção à saúde bucal e correção de possíveis deficiências nutricionais ajudam a manter as defesas do organismo funcionando adequadamente; pequenas mudanças na rotina podem contribuir para a saúde, mas não substituem vacinas nem cuidados médicos

Cuidar do sistema imunológico costuma ser associado ao consumo de frutas cítricas, à ingestão de vitaminas e ao uso de suplementos. Embora uma alimentação adequada seja importante, as defesas do organismo dependem de uma rede complexa de células, tecidos e órgãos que também é influenciada pelo sono, pela atividade física e por outros hábitos cotidianos.
Não existe um alimento capaz de impedir todas as infecções nem uma fórmula que aumente a imunidade de maneira instantânea. O objetivo é oferecer ao corpo condições para que o sistema imunológico desempenhe suas funções, evitando fatores que podem prejudicar seu funcionamento.
Além de manter uma alimentação variada e a vacinação em dia, algumas práticas menos lembradas merecem atenção. Entre elas estão manter horários regulares para dormir, investigar possíveis carências nutricionais em vez de tomar suplementos indiscriminadamente, movimentar o corpo com frequência, cuidar do estresse e preservar a saúde da boca.
1. Manter horários regulares para dormir
Dormir o suficiente é importante, mas a regularidade dos horários também merece atenção. Ir para a cama e acordar em períodos semelhantes todos os dias ajuda a organizar o ritmo circadiano, o relógio biológico que regula o sono e outras funções do organismo.
Durante o sono, o corpo passa por processos de recuperação e regulação de respostas imunológicas. A privação frequente de descanso pode interferir nessas funções e está associada a maior vulnerabilidade a algumas infecções.
Para a maioria dos adultos, a recomendação geral é dormir pelo menos sete horas por noite, embora as necessidades variem. Além da duração, vale observar se o sono é reparador e se a pessoa desperta descansada.
Uma estratégia prática é estabelecer um horário aproximado para dormir, reduzir a exposição à luz intensa e às telas antes de deitar e evitar o consumo de cafeína perto da hora de dormir. Se a dificuldade para adormecer ou os despertares frequentes persistirem, pode ser necessário investigar a causa.
2. Corrigir deficiências nutricionais em vez de exagerar nos suplementos
Vitaminas e minerais participam de diferentes processos imunológicos. Nutrientes como vitaminas A, C, D, B6 e B12, além de zinco, ferro e selênio, desempenham funções importantes para o funcionamento do organismo.
Isso não significa que consumir quantidades maiores desses nutrientes torne a imunidade mais forte. Quando a alimentação já fornece o necessário, a suplementação indiscriminada pode não trazer benefícios adicionais e, em alguns casos, causar efeitos adversos.
A melhor estratégia é priorizar uma dieta variada, com frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, fontes de proteína e gorduras de boa qualidade. Quando há suspeita de deficiência, o profissional de saúde pode avaliar a necessidade de exames e de suplementação.
Pessoas com dietas muito restritivas, determinadas condições de saúde ou dificuldades de absorção de nutrientes podem precisar de atenção específica. Nesses casos, tomar suplementos por conta própria não substitui a investigação da causa.
3. Incluir movimento na rotina, mesmo sem treinos intensos
A atividade física regular beneficia a saúde cardiovascular, o metabolismo, o sono e o bem-estar emocional. Também participa da regulação do sistema imunológico e favorece a circulação de células envolvidas na resposta do organismo a agentes infecciosos.
Não é necessário começar com exercícios intensos para aproveitar esses benefícios. Caminhar, pedalar, dançar, subir escadas ou fazer pausas para se movimentar ao longo do expediente são maneiras de reduzir o tempo sedentário.
Para adultos, a recomendação geral é acumular pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, além de exercícios de fortalecimento muscular em dois dias da semana. Quem está começando pode aumentar o tempo e a intensidade gradualmente, de acordo com a condição física.
Mais exercício, entretanto, não significa necessariamente mais proteção. Treinos muito exigentes, especialmente quando combinados com recuperação insuficiente, podem aumentar a fadiga e prejudicar o bem-estar. Descanso, alimentação e progressão adequada também fazem parte de uma rotina equilibrada.
4. Encontrar maneiras sustentáveis de lidar com o estresse
O estresse faz parte da vida e nem sempre pode ser evitado. Quando se torna persistente, porém, pode afetar o sono, os hábitos alimentares e a disposição para praticar atividades físicas, fatores que também influenciam a saúde imunológica.
Por isso, cuidar do estresse não precisa significar eliminar todas as preocupações. O objetivo é desenvolver maneiras de lidar com as demandas sem permanecer constantemente em estado de tensão.
Caminhadas, exercícios de respiração, meditação, atividades de lazer e conversas com pessoas de confiança podem ajudar a organizar a rotina e aliviar a sobrecarga. Fazer pausas durante o trabalho e estabelecer limites para compromissos também pode contribuir.
Essas práticas não garantem que alguém deixe de adoecer, mas podem favorecer o bem-estar e ajudar a manter hábitos importantes para a saúde. Quando o estresse interfere continuamente no sono, no trabalho ou nos relacionamentos, buscar apoio profissional pode ser necessário.
5. Cuidar da saúde bucal com regularidade
A higiene da boca é outro hábito que merece atenção. Escovar os dentes com creme dental fluoretado, usar fio dental e fazer acompanhamento odontológico ajudam a prevenir cáries, gengivite e outras doenças bucais.
A inflamação persistente das gengivas pode afetar a saúde geral, e problemas bucais não tratados merecem cuidado independentemente de seus possíveis efeitos sobre outras partes do organismo. Isso não significa, porém, que escovar os dentes seja uma forma isolada de prevenir gripes ou resfriados.
A recomendação é manter uma rotina de higiene consistente, observar sangramentos frequentes, dor ou inchaço e procurar um dentista quando esses sinais aparecerem. A limpeza profissional e o tratamento de doenças bucais também podem ser necessários, conforme cada caso.
Imunidade depende de um conjunto de cuidados
As cinco práticas têm algo em comum: seus benefícios aparecem principalmente quando fazem parte de uma rotina consistente. Dormir bem em uma única noite, caminhar ocasionalmente ou tomar vitaminas sem necessidade não compensa, por si só, hábitos que prejudicam a saúde ao longo do tempo.
Orientações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) também reforçam a importância de dormir o suficiente, manter uma alimentação adequada, praticar atividade física e evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. A instituição destaca ainda que hábitos saudáveis e vacinação cumprem papéis diferentes e complementares na proteção contra doenças.
Manter as vacinas recomendadas em dia, lavar as mãos e seguir as orientações de prevenção adequadas a cada situação continuam sendo medidas fundamentais. Se houver infecções frequentes, graves ou persistentes, a avaliação médica é importante para investigar possíveis causas.
Em vez de procurar uma solução rápida para aumentar a imunidade, vale começar pelo que pode ser sustentado no cotidiano. Uma rotina de sono mais regular, movimento frequente, alimentação variada, controle do estresse e atenção à saúde bucal contribui para o funcionamento adequado do organismo e para uma abordagem mais completa de cuidado com a saúde.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.



