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Zema não vê problema em protagonismo de Pacheco em negociação da dívida de Minas com a União

A jornalistas, governador afirmou que prioridade é terminar, em bom termo, as conversas com o governo federal para amortizar passivo de R$ 160 bi

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Haddad, Zema e o vice-governador de MG, Mateus Simões, se reuniram na semana passada
Simões afirmou que governo de Minas aguarda uma definição do governo federal sobre proposta para reduzir dívida com a União • Gabriel Vargas/Imprensa MG

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), minimizou, nesta terça-feira (23), a possibilidade de o presidente do Congresso Nacional, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ser visto como o principal arquiteto de uma saída para a dívida do estado com a União. O Palácio Tiradentes e o Ministério da Fazenda têm debatido, com a participação de Pacheco, possibilidades para amortizar o débito mineiro junto ao governo federal — superior a R$ 160 bilhões.

A jornalistas, durante um café da manhã em Belo Horizonte, Zema disse que vai “aplaudir” Pacheco caso as articulações do congressista resultem em um pacto entre os governos pela amortização da dívida. De acordo com o político do Novo, não é o momento de pensar em eventuais ganhos políticos a reboque da negociação — como a eleição de 2026.

O governador mineiro tem encampado reivindicação por mudanças nas regras da equação. O entendimento é que a revisão dos juros diminuiria o tamanho da dívida.

Como já mostrou a Itatiaia, no mês passado, Pacheco e Haddad receberam cópia de uma proposta que sugere a adoção de uma fórmula baseada no IPCA + 2%.

“Se Minas, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, estados endividados, crescerem mais, quem vai ganhar é o Brasil. Vai se gerar mais empregos e se exportar mais. Hoje, temos uma corrente segurando esse desenvolvimento, devido a um problema passado, que não é mérito, mais, de discussão. Temos de olhar para o futuro”, disse Zema, em entrevista no mês passado, ao defender a mudança do indexador da dívida.

Pacheco prepara proposta

A redução dos juros é bandeira, também, de Rodrigo Pacheco. O presidente do Congresso Nacional prepara uma proposta, a ser apresentada ao Legislativo, englobando as alternativas ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), mecanismo visto por ele como ineficiente.

O pacote pode conter, por exemplo, a federalização de estatais. A possibilidade de repasse, à União, de empresas como a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), é benquista por Pacheco.

Infraestrutura pode entrar na conta

No que tange ao plano do governo federal de trocar os juros da dívida por investimentos em educação, o governo de Minas tenta incluir, na conta, a aplicação de recursos em infraestrutura.

“Precisamos reformar estradas, precisamos de infraestrutura na área de saneamento. E isto não está contemplado”, defendeu o vice-governador, Mateus Simões (Novo).

A ideia aventada por Simões foi vista com bons olhos por Pacheco. “Por vezes, o Estado tem investido suficientemente em educação e quer investir em infraestrutura. Permitir essa flexibilidade é inteligente”, concordou o senador.

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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.

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Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.