Zema afirma que falta coragem para fazer mudanças que o país precisa, mesmo com custo político
Ex-governador afirma que programas públicos não alcançam a realidade de muitos municípios e defende mudanças estruturais mesmo com desgaste político

O ex-governador de Minas Gerais e atual pré-candidato à presidência da república, Romeu Zema (Novo), voltou a defender reformas estruturais no país e afirmou que está disposto a adotar medidas impopulares caso dispute e chegue à Presidência da República. Durante entrevista em evento da Confederação Nacional da Indústria, nesta segunda-feira (22), Zema criticou a burocracia federal e afirmou que muitas políticas públicas não conseguem alcançar a realidade da maior parte dos municípios brasileiros.
Um dos principais pontos abordados pelo governador foi o programa Jovem Aprendiz. Segundo Zema, o modelo atual atende apenas uma parcela limitada dos jovens brasileiros, especialmente aqueles que vivem em cidades atendidas por unidades do Sistema S ou instituições credenciadas. O governador defendeu mudanças para ampliar o alcance da iniciativa e sugeriu uma maior participação das redes estaduais de ensino na formação e acompanhamento dos estudantes.
Como exemplo, citou Minas Gerais, que possui 853 municípios, mas onde, segundo ele, apenas uma pequena parte das cidades consegue oferecer oportunidades ligadas ao programa.
Reformas acima da popularidade
Zema também afirmou que não tem preocupação com a possibilidade de governar por apenas um mandato caso seja eleito presidente. Segundo ele, sua prioridade seria implementar reformas consideradas necessárias para o país, mesmo que isso resulte em desgaste político. O governador argumentou que muitos líderes evitam medidas estruturais por receio dos impactos eleitorais e defendeu uma gestão focada na sustentabilidade das contas públicas.
Ao comentar sua passagem pelo governo mineiro, Zema relembrou o período anterior à eleição de 2022, quando enfrentou pressões de sindicatos e movimentos por reajustes salariais mais elevados para servidores estaduais. Segundo ele, optou por conceder aumentos menores do que os reivindicados para preservar o equilíbrio fiscal do estado. O governador afirmou que a estratégia acabou sendo validada pelos eleitores, que o reconduziram ao cargo no primeiro turno.
Na parte final da declaração, Zema afirmou que sua atuação política é baseada em propostas que considera necessárias para o país, mesmo quando elas geram resistência.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.



