TSE lacra sistemas das urnas em cerimônia com presença apenas de Nunes Marques
Diretor-geral da PF, Andrei rodrigues, também esteve presente, mas não se manifestou; presidente da Corte defendeu ampliação da fiscalização do sistema eleitoral e jornalistas não tiveram acesso à sala-cofre

A cerimônia para registrar a versão dos programas que será instalada nas urnas eletrônicas, que ocorreu nesta sexta-feira (4), contou, entre os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas com a presença do presidente da Corte, Kássio Nunes Marques. O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, esteve presente, mas não se manifestou durante a solenidade.
A etapa de assinatura digital e lacração dos sistemas eleitorais encerra o período em que os códigos-fonte podem ser inspecionados antes das eleições. O procedimento começou no último dia 31 e foi concluído nesta sexta, na sede da Corte, em Brasília.
A cerimônia ocorre em meio às repercussões da divulgação de relatórios da PF que mencionam integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.
As informações, tornadas públicas nesta semana, revelaram mensagens que indicam proximidade entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Também veio à tona um encontro entre Vorcaro e o ministro André Mendonça, relator na Corte dos inquéritos que investigam supostas fraudes envolvendo o Banco Master. Posteriormente, a reunião foi confirmada pelo próprio magistrado.
Os ministros evitaram falar sobre a tensão no Supremo em todos os eventos que aconteceram nesta semana. Especialmente quando há a presença de todos, a pauta segue normalmente. Tanto na primeira sessão do STF após estourar a troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes, quanto em outro evento no TSE, no qual Mendonça foi coanfitrião da cerimônia, não houveram comentários sobre as notícias. As informações a respeito dos casos têm saído em posicionamentos oficiais e em ações dentro do Judiciário sobre a abertura de novas investigações.
Defesa da fiscalização nas eleições de 2026
Neste ano, os jornalistas presentes na cerimônia não tiveram acesso à sala-cofre do TSE no momento em que as mídias com os sistemas lacrados foram armazenadas. A restrição difere da dinâmica realizada em 2022, na qual o tribunal informou previamente que os profissionais poderiam acompanhar a solenidade.
Ainda assim, Nunes Marques destacou a participação das entidades fiscalizadoras e partidos políticos, que puderam inspecionar os códigos-fonte dos sistemas que serão usados nas eleições desde outubro de 2025. O presidente da Corte afirmou ter pedido a todos igualmente a intensificação do acompanhamento das etapas de preparação do sistema eletrônico de votação.
“Solicitei especificamente que todos os partidos ampliassem o acompanhamento e a fiscalização do nosso sistema de votação justamente por acreditar que a segurança e a credibilidade do pleito são responsabilidades comuns a todos os atores do processo eleitoral”, declarou.
Nunes ressaltou que a partir da aposição das assinaturas digitais não é mais possível alterar os sistemas sem que a modificação seja identificada. Agora, a etapa é que os mecanismos de segurança verifiquem a autenticidade e a integridade das versões lacradas. Esse procedimento garante que nenhum programa ou análise técnica utilizada nas eleições fique fora do controle da justiça eleitoral, dos órgãos responsáveis pela fiscalização e da auditoria do processo.
O procedimento, previsto na Lei das Eleições e nas normas do TSE, representam uma das últimas etapas de preparação tecnológica para as eleições. Na sequência, são gerados os chamados hashes, códigos que funcionam como uma espécie de impressão digital de cada programa. Eles permitem conferir posteriormente se o software utilizado corresponde exatamente à versão inspecionada e aprovada antes da eleição.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



