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Simões confirma expansão do Colégio Tiradentes e diz que fala 'atabalhoada' gerou dúvida

Governador reiterou que anúncio das escolas estaduais que serão transformadas nos colégios militares será efetivado apesar de a Secretaria de Educação ter dito que medida estava sob análise

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Mateus Simões tomou posse como governador de MG no fim de março • TV ALMG/Reprodução

O governador Mateus Simões (PSD) garantiu que todas as 30 unidades do Colégio Tiradentes anunciadas por sua gestão serão efetivamente instaladas nos endereços previamente informados pelo Executivo. Em entrevista à Itatiaia, ele disse que a Secretaria de Educação se confundiu quando declarou que a questão ainda estava em análise e poderia não se concretizar.

 

“Depois da manifestação meio atabalhoada da da superintendente no começo da semana, nós vamos editar uma normativa,  a Secretaria (de Educação) resolveu editar uma normativa no começo da próxima semana, declarando quais são as unidades de forma definitiva. A discussão com a comunidade é sobre a forma de implantação da escola: se vai ser mais rápido, mais devagar, começando pelos anos iniciais ou começando em ciclos, se a gente vai consultar os pais sobre a manutenção de filhos e preferência de matrícula de filhos e irmãos, porque tem essa lógica na nas escolas públicas como um todo [...] É uma consulta sobre a implantação, mas não sobre a definição da escola. Como eu disse, essa é uma definição que tem que atender os critérios de necessidade da polícia militar, e não da comunidade escolar. São 30 escolas num universo de 4 mil escolas. Eu acho que sempre é bom repetir, nós estamos falando de uma fração de 0,1% das escolas do Estado. Se a gente não puder fazer esse sacrifício em prol da Polícia Militar, o estado está perdido”, declarou.

 

Em suas agendas pelo interior, o governador anunciou que escolas estaduais serão transformadas em Colégio Tiradentes, unidades com modelo de ensino de molde militar e vagas prioritárias para filhos de servidores do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. Na última segunda-feira (25), porém, a superintendente de Organização Escolar e Informações Educacionais, Simone Aparecida Emerick, disse que nenhum dos anúncios era definitivo e ainda precisariam passar por um estudo da secretaria de Educação.

Simões disse que a prerrogativa de definir quais escolas estaduais se transformarão em colégios Tiradentes é dele e que um anúncio concretizando o endereço dos novos colégios militares será publicado nas próximas semanas para dar fim ao debate.

 

Relação com militares

 

A indefinição gerada pelo mal entendido dentro do Governo colocou mais uma pulga atrás da orelha das forças de segurança em relação aos anúncios do Executivo para a categoria. Uma outra desconfiança já fora gerada em relação ao projeto que estabeleceria a revisão anual geral para os servidores da segurança, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 40/2024.

 

O texto está parado na Assembleia Legislativa em meio a um imbróglio no entendimento da Casa e de Simões em relação à constitucionalidade do projeto original, que foi apresentado por várias câmaras municipais do interior do estado, e também sobre a possibilidade de apresentação de uma emenda vinda do Executivo Estadual no período vedado pela Lei Eleitoral. Simões se comprometeu a apresentar seu texto após as eleições.

 

“A gente tem que esperar a eleição passar. Já disse que se eles não derem andamento à PEC 40, eu vou apresentar um substitutivo, assim que passar a vedação eleitoral. [...] Eu continuo com essas pautas, mas elas têm menos a ver com a segurança pública e mais a ver com a população. A população tem uma sensação de que a gente precisa ter um estado mais alinhado com essa tropa, que é a tropa da qual o estado inteiro tem orgulho”, afirmou.

 

O contato com as forças de segurança é uma pedra no sapato da gestão de Minas desde a chegada de Romeu Zema (Novo), de quem Simões era vice. A pauta salarial é a gênese do desgaste, já que servidores da área cobram uma recomposição dos vencimentos na casa dos 70%.

 

A PEC 40

 

 

A PEC 40/2024 gera uma celeuma técnica e política entre as forças de segurança, o Governo de Minas e a Assembleia Legislativa (ALMG). Um dos pontos de conflito é a vedação determinada pela lei eleitoral à votação e aprovação de projetos que majoram os vencimentos de servidores nos seis meses que antecedem o pleito.

 

Há dois anos, um conjunto de vereadores de cidades mineiras com apoio de entidades de classe das forças de segurança elaborou e protocolou na Assembleia a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 40/2024. O texto estabelece que os vencimentos de bombeiros e policiais militares, penais e civis no estado sejam reajustados anualmente de acordo com a inflação.

 

O texto está emperrado na Assembleia desde então. O entrave técnico trata sobre o possível vício de iniciativa representado pela proposta, que é assinada por câmaras municipais e versa sobre um tema de competência exclusiva do Executivo Estadual.

 

Com o projeto já empoeirado no arquivo da Assembleia, o tema foi desenterrado por Mateus Simões ao fim da cerimônia da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, em 21 de abril. Em entrevista após a solenidade, o governador anunciou que mobilizaria a Assembleia para votar o texto.

 

Além disso, a Legislação Eleitoral proíbe que sejam votados e aprovados projetos que majorem o vencimento de servidores nos seis meses que antecedem as eleições. A medida é uma proteção para evitar que os políticos se favoreçam da posição de incumbentes para oferecer benesses com a intenção de se perpetuar no poder.

 

Há, no entanto, uma variação na interpretação da lei. Enquanto o Governo de Minas prega cautela e uma consulta detalhada ao TRE, o deputado estadual Sargento Rodrigues (PL), referência classista da Assembleia para as forças de segurança, defende que o Executivo já poderia ter enviado uma nova PEC sem qualquer risco.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.