Com incerteza sobre Colégio Tiradentes, Simões patina em nova tentativa de aceno às polícias
Governador de Minas Gerais alimentou a desconfiança de servidores das forças de segurança com a informação de que anúncio de escolas anunciadas não é definitivo; governo diz que anúncios serão efetivados

Obstáculo para que o governador Mateus Simões (PSD) se consolide como um candidato que transita entre os mais importantes grupos da direita, as forças de segurança seguem como uma pedra no sapato do pré-candidato à reeleição. Desde que assumiu o posto, com a renúncia de Romeu Zema (Novo) em março, o chefe do Executivo mineiro fez movimentos para tentar uma aproximação, mas patina ao apresentar propostas que não podem não se consolidar.
O primeiro aceno importante de Simões às forças de segurança aconteceu em 21 de abril, quando na cerimônia do Dia de Tiradentes em Ouro Preto ele anunciou que desenterraria a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 40/2024, que prevê o reajuste salarial anual para os servidores da segurança. Simões, no entanto, não conseguiu resolver o imbróglio que trava a pauta na Assembleia Legislativa (ALMG). A medida não deve ser resolvida antes do pleito de outubro.
A pauta salarial é a gênese do desgaste das forças de segurança com a atual gestão no estado, iniciada com Zema em 2019. Os servidores da área cobram uma recomposição dos vencimentos na casa dos 70%.
A nova questão que decepcionou as forças de segurança aconteceu nesta semana e trata sobre a expansão do Colégio Tiradentes. Em suas jornadas pelo interior, Simões anunciou que 19 novas unidades seriam abertas. No entanto, em audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na última segunda-feira (22), a superintendente de Organização Escolar e Informações Educacionais, Simone Aparecida Emerick afirmou os anúncios feitos, na verdade, ainda estão em fase de análise.
O Colégio Tiradentes é uma rede de escolas de ensino básico administrada pela Polícia Militar com diretrizes e condutas específicas relacionadas ao universo militar. A prioridade para matrículas nas unidades é para dependentes de militares do estado e a possibilidade dos anúncios não se confirmarem criou uma nova mácula na relação das forças de segurança com o governador.
À Itatiaia, o subtenente Heder, diretor jurídico da Associação dos Praças, Policiais e Bombeiros Militares (Aspra PM/BM), afirmou que a expansão do Colégio Tiradentes fora descartada no início do ano, mas voltou a pauta sem considerar estudos prévios feitos pela PM.
“O que está incomodando no anúncio do Mateus é que em fevereiro não havia previsão de lançamento de nenhuma escola, sob alegação do próprio governo de que não havia recurso financeiro para viabilizar a instalação. E quando ele entra nessa pré-campanha, assim que ele assume o governo, começa a fazer anúncios de cunho político e eleitoral”, afirmou.
O deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL), também se manifestou sobre o caso da incerta expansão do Colégio Tiradentes. À reportagem, o parlamentar que representa os servidores da segurança criticou o governador pela incerteza relacionada à medida que ampliaria as vagas para dependentes de militares.
“Infelizmente Mateus, mais uma vez, demonstra o seu desprezo pela segurança pública, e olha que alguns políticos até do PL forçaram a barra de todas as formas para tentar aproximá-lo das polícias. Saber que os prometidos novos colégios Tiradentes podem não sair do papel apenas confirma a tese de que existem políticos coerentes e de palavra, e que existem os que flertam com o estelionato eleitoral. Existem aqueles que cumprem o papel de servir com dignidade e honra, e os populistas de lábia cara em marketing e barata em ações concretas”, declarou à reportagem.
Em nota enviada à Itatiaia, o Governo de Minas afirmou que efetivará a expansão dos colégios Tiradentes e mantém negociações com as comunidades escolares para aperfeiçoar o projeto de transformação de unidades de escolas estaduais que podem ser transformadas no modelo de gestão militar.
“O Governo de Minas reafirma que será efetivada a expansão dos Colégio Tiradentes para todas as cidades já anunciadas no âmbito do Governo Presente. O Governo de Minas mantém diálogo permanente com as comunidades escolares e, caso necessário, poderá realizar, em exceções, adequações de quais unidades serão transformadas no ensino militar - a partir da análise mais aprofundada da Superintendência de Organização Escolar e Informações Educacionais ou de outros agentes do governo que acompanham o projeto”, afirmou.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



