Após prometer avanço da PEC 40, Simões admite que impasse pode ficar para depois da eleição
Proposta que prevê reajuste salarial anual para as forças de segurança de Minas segue travada na ALMG

Mais de um mês após prometer o avanço da PEC 40/2024, o governador Mateus Simões (PSD) admitiu que o impasse com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) pode durar até depois das eleições. Em entrevista coletiva concedida na última sexta-feira (22), durante agenda da formatura de novos policiais militares, o chefe do Executivo mineiro lamentou ainda não ter conseguido cumprir a promessa que fez em abril.
“Talvez, o que me deixa assim com aquela sensação de que dava para ter feito um pouquinho mais é a gente ter caminhado com a PEC 40. O meu compromisso permanece, independentemente dessa leitura da Assembleia, de que nós teremos a garantia de reajuste anual às forças de segurança, nem que eu tenha que esperar o período eleitoral passar para superar esse entrave jurídico que se formou dentro da Assembleia neste momento”, afirmou.
Três dias antes dessa fala, em entrevista concedida à Itatiaia durante o X Congresso Internacional de Controle e Políticas Públicas, Simões havia demonstrado otimismo com o avanço da proposta.
“Isso é muito mais importante que qualquer discussão política ou tecnocrática, então eu pus a minha equipe para conversar com a equipe da Assembleia nos últimos dias, espero que a gente consiga encontrar um caminho”, disse.
Na Assembleia, a liderança governista já informou aos demais parlamentares que Simões não enviou e nem enviará nem uma emenda à PEC, muito menos um novo texto. Fontes ouvidas pela reportagem relataram que o tema é tratado como favas contadas pelos interlocutores da Cidade Administrativa dentro do parlamento.
Oficialmente, o presidente da Casa Legislativa, Tadeu Leite (MDB), ainda não se posicionou sobre o tema. A Itatiaia entrou em contato com o deputado por meio de assessoria de imprensa. Caso haja retorno, a matéria será atualizada.
Entenda o caso
A proposta, que prevê o reajuste salarial anual para as forças de segurança do estado, está travada na ALMG há dois anos. No dia 21 de abril, Mateus Simões citou a PEC após a cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto.
Em entrevista após a solenidade, o governador anunciou que mobilizaria o Legislativo para votar o texto, que nasceu de uma demanda de policiais junto a câmaras municipais do interior do estado.
Dois dias depois, no entanto, o presidente da ALMG, Tadeu Leite (MDB), declarou que não há responsabilidade da Assembleia pela tramitação não ter avançado nos últimos anos. De acordo com o deputado, a PEC tem vício de iniciativa.
“A política remuneratória dos servidores públicos é de competência exclusiva do governador do estado”, apontou.
Tadeu Leite ainda reforçou que o texto atual será "obviamente aproveitado ao longo da tramitação", mas que é necessário o encaminhamento de uma nova proposta para que a inconstitucionalidade existente na PEC 40/2024 seja corrigida e o texto tramite na Assembleia.
Na sequência, durante evento em Uberaba, no Triângulo Mineiro, Simões rebateu o presidente da ALMG.
"Alguém me disse que o presidente teria dito que havia vício de iniciativa, ele pode instalar a comissão e a comissão vai avaliar se há vício de iniciativa. Eu não vejo assim. Estamos falando de uma PEC que têm iniciativa nas câmaras municipais. A vedação é para que outros Poderes proponham emendas constitucionais que mexam na administração. As PECs que têm lógica na manifestação popular não estão submetidas às mesmas vedações”, declarou.
O papel de Nikolas Ferreira
Mateus Simões chegou a ter o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) para se reaproximar das forças de segurança de Minas. O parlamentar reuniu representantes da categoria em um almoço para tratar da PEC 40.
O encontro gerou uma crise interna no PL. Deputados classistas que representam as forças de segurança como Cristiano Caporezzo (PL) e Sargento Rodrigues (PL) não foram sequer convidados para o almoço.
Nas redes sociais, ambos manifestaram receio de que o movimento de Nikolas seja relacionado à tentativa de apoiar outros candidatos atrelados à pauta de segurança em detrimento deles.
Nikolas rechaçou a ideia de tentar causar uma intriga no partido. Em falas enviadas à Itatiaia, o parlamentar negou desejo de protagonismo eleitoral com o movimento.
“Não sei como ficaram sabendo desse encontro, mas é o trabalho de vocês. Todos sabem, eu tenho imenso apreço pela segurança pública e sempre recebo demandas dos operadores de segurança pública relacionados a recomposição geral anual. […] A partir de agora, temos que focar na união. É ano eleitoral e muitos irão querer aproveitar. As entidades unidas podem evitar a manipulação do processo”, afirmou.
Nuno Krause é repórter de política da Rádio Itatiaia. Antes, ficou dois anos no portal Itatiaia Esporte. Formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), acumula passagens também por Bahia Notícias, Jornal A TARDE e Rádio Salvador FM.



