Nikolas organiza almoço que reaproxima forças de segurança do governo e cria crise no PL
Dois deputados estaduais que representam a categoria na Assembleia Legislativa não foram convidados para o evento, que discutiu um texto parado há dois anos na Casa

Um almoço organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em Belo Horizonte nesta quarta-feira (22) pode ser um passo importante para a reaproximação entre o Governo de Minas e as forças de segurança do estado após sete anos em pé de guerra. Por outro lado, o movimento do parlamentar acentua as rusgas internas dentro do PL mineiro.
O deputado reuniu representantes de entidades que representam as forças de segurança para tratar sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 40/2024. Parado há quase dois anos na Assembleia Legislativa (ALMG), o texto garante a revisão anual dos vencimentos de bombeiros e policiais civis, penais e militares de acordo com a inflação. Uma reunião na Cidade Administrativa junto à Secretaria de Governo (Segov) foi marcada para a próxima sexta (24) para discutir o assunto.
O tema toca na principal insatisfação da categoria com a atual gestão do estado, iniciada com Romeu Zema (Novo) em 2019: a não recomposição das perdas salariais. Mesmo após promessa e aprovação de projetos na Assembleia, o Executivo não pagou duas parcelas de reajuste próximo à casa dos 10% em 2021 e 2022 e os servidores da segurança reivindicam um reajuste na casa dos 50% para corrigir as perdas dos últimos anos. Essa celeuma colocou Zema e o atual governador Mateus Simões (PSD) na mira de seguidos protestos nas ruas e na Assembleia.
E é justamente na Assembleia onde a insatisfação partidária se encontra. Deputados classistas que representam as forças de segurança como Cristiano Caporezzo (PL) e Sargento Rodrigues (PL) não foram sequer convidados para o almoço. Nas redes sociais, ambos manifestaram receio de que o movimento de Nikolas seja relacionado à tentativa de apoiar outros candidatos atrelados à pauta de segurança em detrimento deles.
Nikolas rechaçou a ideia de tentar causar uma intriga no partido. Em falas enviadas à Itatiaia, o parlamentar negou desejo de protagonismo eleitoral com o movimento.
“Não sei como ficaram sabendo desse encontro mas é o trabalho de vocês. Todos sabem, eu tenho imenso apreço pela segurança pública e sempre recebo demandas dos operadores de segurança pública relacionados a recomposição geral anual. […] A partir de agora, temos que focar na união. É ano eleitoral e muitos irão querer aproveitar. As entidades unidas podem evitar a manipulação do processo”, afirmou.
A PEC 40
A PEC 40 foi desenterrada por Mateus Simões ao fim da cerimônia da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, na terça-feira (21). Em entrevista após a solenidade, o governador anunciou que mobilizaria a Assembleia para votar o texto, que nasceu da mobilização de policiais junto a câmaras municipais do interior do estado e não recebeu atenção do Executivo desde então.
Com ampla maioria na Assembleia, a base governista tem número para fazer o projeto avançar. O texto, no entanto, só poderia ser sancionado após outubro, que a lei eleitoral impede que propostas que majorem o salário de servidores sejam aprovadas nos seis meses que antecedem o pleito.
O projeto faz parte da tentativa de reaproximação do governo com as forças de segurança. Simões protagonizou o evento do dia de Tiradentes em Ouro Preto com uma defesa efusiva do militarismo ao criticar a fala de Ângelo Oswaldo, prefeito da cidade histórica, que o antecedeu no evento.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
