O que os policiais mineiros vão discutir em reunião com o governo
Representantes das forças de seguranças terão reunião com o Executivo na sexta-feira (24) para tratar sobre uma PEC que revisa os salários da categoria anualmente

Entidades que representam as forças de segurança em Minas Gerais se reuniram nesta quarta-feira (22) em Belo Horizonte para um almoço convocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL). O objetivo era viabilizar o diálogo com o governo do estado e destravar a discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 40/2024, que trata sobre a revisão geral anual dos vencimentos da categoria.
O encontro teve a presença do chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Governo (Segov), Gustavo Souza, e foi encerrado com a marcação de uma reunião com a pasta na próxima sexta-feira (24). Segundo as forças de segurança, a reunião busca dar um novo contorno ao texto da PEC para que ela deixe de ter um vício de origem e possa tramitar na Casa. O texto originalmente foi apresentado a partir da representação de vereadores do interior mobilizados pelos servidores da segurança pública.
“Queremos cobrar do governo, de fato, que assuma na prática, assim como assumiu publicamente, o envio de uma mensagem à Assembleia Legislativa para que torne constitucional a PEC 40, que diz sobre a revisão geral anual dos trabalhadores da segurança pública, inclusive os pensionistas. [...] a pauta única de todas as entidades é de conhecer o texto, dar a nossa opinião e ver se ele atende à categoria”,afirmou o subtenente Heder, diretor jurídico da Associação dos Praças, Policiais e Bombeiros Militares (Aspra PM/BM) logo após o almoço com Nikolas.
Parado há quase dois anos na Assembleia Legislativa (ALMG), o texto da PEC 40/2024 garante a revisão anual dos vencimentos de bombeiros e policiais civis, penais e militares para combater as perdas inflacionárias.
O tema toca na principal insatisfação da categoria com a atual gestão do estado, iniciada com Romeu Zema (Novo) em 2019: a não recomposição das perdas salariais. Mesmo após promessa e aprovação de projetos na Assembleia, o Executivo não pagou duas parcelas de reajuste próximo à casa dos 10% em 2021 e 2022 e os servidores da segurança reivindicam um reajuste na casa dos 50% para corrigir as perdas dos últimos anos. Essa celeuma colocou Zema e o atual governador Mateus Simões (PSD) na mira de seguidos protestos nas ruas e na Assembleia.
Nikolas Ferreira falou sobre ter reunido as forças de segurança mesmo sem a presença de seus correligionários que atuam pela categoria, como os deputados estaduais Sargento Rodrigues e Cristiano Caporezzo. O deputado federal rechaçou a ideia de que ele tenta algum protagonismo político com a medida.
"Em todas as minhas campanhas eu nunca fechei, digamos assim, o cabresto com ninguém, seja com igreja, seja com policial, seja com entidade, eu literalmente fiz com que eles tivessem o protagonismo. A PEC, inclusive, foi uma iniciativa popular, acho excelente para que fique realmente com essas que estão aqui hoje nesta reunião, para que eles levem isso ao governo e consigam ter essa valorização que eu sei que a segurança pública está pedindo há bastante tempo", disse Nikolas Ferreira em entrevista após a reunião desta quarta.
A PEC 40
A PEC 40 foi desenterrada por Mateus Simões ao fim da cerimônia da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, na terça-feira (21). Em entrevista após a solenidade, o governador anunciou que mobilizaria a Assembleia para votar o texto, que nasceu da mobilização de policiais junto a câmaras municipais do interior do estado e não recebeu atenção do Executivo desde então.
Com ampla maioria na Assembleia, a base governista tem número para fazer o projeto avançar. O texto, no entanto, só poderia ser sancionado após outubro, que a lei eleitoral impede que propostas que majorem o salário de servidores sejam aprovadas nos seis meses que antecedem o pleito.
O projeto faz parte da tentativa de reaproximação do governo com as forças de segurança. Simões protagonizou o evento do dia de Tiradentes em Ouro Preto com uma defesa efusiva do militarismo ao criticar a fala de Ângelo Oswaldo, prefeito da cidade histórica, que o antecedeu no evento.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



