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Entrega da medalha da Inconfidência tem 'bate-boca' entre prefeito de Ouro Preto e governador

Governador Mateus Simões ficou irritado com discurso do prefeito Ângelo Oswaldo e afirmou que 'cortesia era o mínimo que se esperava'

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Angelo Oswaldo e Mateus Simões na Medalha da Inconfidência de 2026 • Imprensa Minas

A cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência em Ouro Preto, nesta terça-feira (21), foi marcada por discursos políticos e uma troca de farpas entre o prefeito da cidade histórica, Ângelo Oswaldo (PV), e o governador de Minas, Mateus Simões (PSD). A discussão sobre o modelo de ensino em escolas civico-militares foi tema de ambos os pronunciamentos.

Primeiro nome a falar na cerimônia tradicional de celebração do Dia de Tiradentes, Oswaldo fez um longo discurso com referências à história dos inconfidentes e citou o ex-presidente brasileiro e o ex-governador Juscelino Kubitschek — responsável pela criação da Medalha da Inconfidência — para defender uma educação “cívico-militante” em referência ao modelo de escolas cívico-militares arduamente defendido por Simões.

“Juscelino sabia que se encontrava em Ouro Preto a melhor escola devotada às lições democráticas herdadas dos inconfidentes e legada pelos maiores de Minas. Uma escola cívico-militante, que é o que interessa para o país. Se militarmos em favor de uma educação cívica, lúcida, transparente e democrática, seguiremos a lição de Rui Barbosa, que nas eleições de 1910 condenou o militarismo como um atentado aos princípios basilares da Republica. Sobretudo agora, quando as Forças Armadas do Brasil, acham-se pacificadas e coesas, não há que apelar ao militarismo”, disse o prefeito de Ouro Preto em recado velado ao governador.

Simões, por sua vez, fechou os discursos e falou após o ex-governador e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo) e governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), agraciado com o Grande Colar da Inconfidência na cerimônia.

Em seu pronunciamento, Simões disse que foi cometida uma descortesia pelos anfitriões em um evento de cunho cívico-militar, já que Tiradentes era um alferes. O governador citou nominalmente todos os membros das forças de segurança homenageados na cerimônia e pediu aplausos.

“Se há quem tenha vergonha do militarismo, essa casa não o tem. E respeito, pelo menos, por quem é recebido como visitante é o mínimo que se espera em Minas Gerais por quem é o dono da casa. Meu respeito aos militares, a doutrina militar e ao que eles representam para o Brasil. Que não caiam nas palavras vazias e baratas daqueles que não respeitam as instituições brasileiras”, bradou Simões.

“Lamento muito que o momento tenha de ser feito assim, mas lamento muito que em Minas, a cortesia de quem recebe, tenha sido perdida em algum momento pela necessidade de fazer política em um momento cívico. Cívico e militar, como o dia de Tiradentes sempre foi e continuará sendo, independentemente de quem governe”, continuou Simões, que ficou irritado com as falas do prefeito.

O governador mineiro dedicou boa parte de seu discurso para exaltar os militares em referência a fala anterior de Ângelo Oswaldo.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.