ALMG cobra governo de Minas por investimentos na Defesa Civil e na Segurança Pública
Primeiro dia do Assembleia Fiscaliza teve questionamentos acerca do orçamento para a Defesa Civil e do efetivo disponibilizado para as forças de segurança

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) cobrou, nesta segunda-feira (15), o governo do estado por investimentos na Defesa Civil e na Segurança Pública. Deputados apontaram, no primeiro dia do Assembleia Fiscaliza de 2026, inconsistências nas duas áreas.
Com relação às forças de segurança, a cobrança partiu do deputado Sargento Rodrigues (PL). De acordo com o parlamentar, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros têm sofrido com o baixo efetivo em todo o estado.
"Eu cheguei em delegacia com um delegado, um investigador e sem viatura descaracterizada. Como um delegado vai presidir um inquérito e ter um investigador para fazer uma investigação, as diligências, sem um escrivão, sem uma equipe? O trabalho da Polícia Civil fica extremamente prejudicado para atender à população que paga os impostos e gostaria de ter esse retorno", pontuou o parlamentar.
"Por outro lado, os bombeiros. Temos pelotões dos bombeiros em cidades de quase porte médico com apenas três ou quatro bombeiros por turno de serviço. É algo inadmissível", completou.
A Itatiaia pediu um posicionamento à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (Seplag), pasta que foi cobrada pelo deputado. Assim que houver retorno, a matéria será atualizada.
Defesa Civil
Em relação à Defesa Civil, a cobrança foi relacionada ao orçamento destinado à pasta. De acordo com o portal da transparência, os investimentos do programa “Suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas”, do governo de Minas Gerais, tiveram queda superior a 95% entre 2023 e 2025.
O valor caiu de R$ 5,029 milhões para R$ 75,7 mil no período. O problema foi apontado pela deputada Beatriz Cerqueira (PT).
"Essa redução, de mais de 90%, traz impactos em políticas que precisam ser permanentes. Não estamos falando de eventos. Me assustou muito o governo dizer, durante esse debate, que não é possível prever ou prevenir. É possível sim. O mundo está se esforçando para fazer as adequações, as mudanças necessárias. Então careceu, faltou uma informação pública à sociedade", apontou a parlamentar.
Responsável pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), o Coronel PM Paulo Roberto Bermudes Rezende apontou que os recursos aumentaram.
"O que acontece é que, muitas vezes, na mudança de uma rubrica, se altera um nome. De chuva para água. Mas permanece lá, por exemplo, gestão do risco de desastres, gestão de desastres. O que eu coloquei ali é que essas ações orçamentárias não foram consideradas", justificou.
"O que eu também considerei: muitas vezes, olhamos para a Defesa Civil como um órgão. Mas a Defesa Civil é um sistema. Temos investimentos que perpassam por outras secretarias que são investimentos de Defesa Civil. Vou dar um exemplo: obras. O técnico mais apropriado para falar em obras é o público especializado da Secretaria de Infraestrutura, não a gente. A nós, compete o direcionamento, a coordenação. Mas a execução orçamentária deve ficar nas pastas de origem", acrescentou.
Chuvas na Zona da Mata
Vale lembrar que, em 2026, Minas Gerais registrou 72 mortes em decorrência das chuvas na Zona da Mata. As cidades de Juiz de Fora e Ubá foram as principais afetadas.
De acordo com apresentação da Defesa Civil na Audiência Pública desta segunda, foram investidos R$ 3,5 bilhões de créditos orçamentários em prevenção e preparação para desastres neste ano.
Nuno Krause é repórter de política da Rádio Itatiaia. Antes, ficou dois anos no portal Itatiaia Esporte. Formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), acumula passagens também por Bahia Notícias, Jornal A TARDE e Rádio Salvador FM.
