Belo Horizonte
Itatiaia

Buzzi presta depoimento ao STJ e julgamento deve ocorrer em agosto

Ministro afastado é investigado por denúncias de assédio e importunação sexual; defesa sustenta inocência e apresenta provas em sua versão dos fatos

Por
Ministro do STJ Marco Buzzi da Quarta Turma
Ministro do STJ Marco Buzzi da Quarta Turma • SERGIO AMARAL / STJ

O ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, prestou depoimento nesta segunda-feira (15) à comissão responsável pelo Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apura denúncias de assédio e importunação sexual envolvendo duas mulheres. A oitiva ocorreu na sede da Corte, em Brasília, e durou cerca de duas horas. Após o depoimento, o magistrado deixou o tribunal sem conceder entrevistas. Segundo pessoas que acompanharam a audiência, Buzzi apresentou sua versão dos episódios investigados e respondeu aos questionamentos da comissão responsável pela apuração. O julgamento administrativo do caso pelos ministros do STJ é esperado para agosto de 2026.

De acordo com a defesa, o depoimento teve como objetivo esclarecer os fatos relacionados às duas denúncias que motivaram o afastamento cautelar do ministro, em vigor desde fevereiro deste ano. Uma das acusações foi apresentada por uma jovem de 18 anos, que afirma ter sido vítima de importunação sexual durante uma estadia em Santa Catarina. Segundo os advogados de Buzzi, perícias e registros de imagens teriam sido reunidos para sustentar a versão do magistrado sobre o episódio.

A segunda denúncia envolve uma funcionária terceirizada que atuava no gabinete do ministro. Nesse caso, a defesa argumenta que documentos como registros de acesso, agendas de compromissos e folhas de ponto demonstrariam incompatibilidades entre os relatos apresentados e a presença simultânea dos envolvidos nos locais mencionados.

Processo entra em nova fase

Na semana passada, a comissão ouviu cerca de 20 testemunhas indicadas pela acusação e pela defesa. As duas denunciantes optaram por não prestar depoimento durante a fase de instrução.

Com a conclusão da oitiva do ministro, o processo avança para uma etapa em que a defesa poderá solicitar novas diligências e apresentar requerimentos adicionais. Em seguida, serão abertas as alegações finais antes da elaboração do relatório que será submetido aos integrantes da Corte.

Além do processo disciplinar instaurado no STJ, Marco Buzzi é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) e responde a procedimento administrativo no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ministro nega as acusações e afirma que os elementos produzidos ao longo da apuração reforçam sua inocência.

Por

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.