Belo Horizonte
Itatiaia

Jaques Wagner diz que dólares apreendidos pela PF são de diárias do Senado

Senador afirma que valores apreendidos pela PF são provenientes de diárias de viagens internacionais custeadas pelo Senado

Por
O líder do Governo no Senado, Jaques Wagner
O líder do Governo no Senado, Jaques Wagner • Waldemir Barreto /Agência Senad

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou nesta quinta-feira (18) que os dólares e euros apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero têm origem em diárias recebidas em viagens oficiais ao exterior e em compras de moeda estrangeira realizadas legalmente por ele ao longo dos últimos anos.

Em entrevista à BandNews TV após ser alvo de mandados de busca e apreensão, o senador disse que os recursos estavam guardados em cofre e negou qualquer relação dos valores com o Banco Master ou com o empresário Augusto Lima. Segundo Wagner, ele recebeu aproximadamente US$ 70 mil em diárias do Senado desde 2019: “Eu não tenho nenhuma coisa para esconder desse dinheiro. Está guardado no cofre. Os envelopes, inclusive, que estavam em Brasília, eram envelopes com o timbre do Senado Federal, que é quando você recebe a diária em espécie, em dólar”, afirmou.

Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados ao parlamentar.

Jaques Wagner também revelou que recebeu uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poucas horas após a ação da Polícia Federal. Segundo o senador, Lula telefonou para manifestar solidariedade e reafirmar confiança em sua atuação: “O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar comigo, dizer que mantém absoluta confiança em mim. A gente se conhece há 48 anos”, declarou.

De acordo com Wagner, o presidente não tratou de sua permanência na liderança do governo no Senado durante a conversa: “Ele só ligou para dizer: fique firme. Essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança”, relatou o senador.

Investigação e defesa

A nova fase da Operação Compliance Zero investiga possíveis vínculos entre agentes públicos e pessoas ligadas ao Banco Master.

Wagner é citado nas investigações por suposta relação com o empresário Augusto Lima, que adquiriu anos atrás a rede de supermercados Cesta do Povo, privatizada durante sua gestão no governo da Bahia. O senador negou qualquer benefício financeiro relacionado ao Banco Master e afirmou que sua relação com Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira, foi limitada a dois encontros: “Minha relação com o Daniel Vorcaro é praticamente zero”, declarou.

Apesar da operação, Jaques Wagner afirmou que continuará exercendo a liderança do governo no Senado enquanto contar com a confiança do presidente da República: “Eu continuo na liderança até que o presidente Lula peça para eu me retirar. Não acho que ele vai fazer isso”, disse.

O senador também descartou qualquer impacto sobre seus planos eleitorais para 2026 e afirmou que mantém a intenção de disputar a reeleição ao Senado pela Bahia. Segundo Wagner, a investigação ainda está em fase inicial e não há qualquer denúncia ou condenação contra ele: “Por enquanto, isso é uma mera investigação. Eu não sou réu, não sou culpado, não sou nada. Estou absolutamente tranquilo em relação a tudo que tenho a dizer”, afirmou.

Leia a íntegra da nota divulgada pela assessoria de Jaques Wagner:

Nota à imprensa

O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.

Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.

Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá.

Por

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.