Não convidado, Caporezzo reage a encontro de Nikolas com a segurança pública
Parlamentar foi preterido de um encontro entre representantes da segurança pública nesta quarta-feira (22)

O deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL) comentou, em nota encaminhada à Itatiaia, as fraturas com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) após o parlamentar ter organizado um almoço, nesta quarta-feira (22), para construir pontes entre o governador Mateus Simões (PSD) e as forças de segurança no estado. Caporezzo não foi convidado para o encontro, mesmo sendo uma das principais vozes na Assembleia, ao lado de Sargento Rodrigues (PL), em defesa do funcionalismo da segurança pública.
“Eu conheço o Nikolas desde 2018. Antes do sucesso dele, tínhamos amizade. Ele é um quadro muito importante para o partido e que traz a juventude consigo. A opção de conduta dele hoje é de tomar decisões pensando muito de maneira solo. O Nikolas de hoje é alguém que não busca a opinião de nenhum dos deputados que são membros do movimento Direita Minas e nem mesmo aqueles que foram os grandes apoiadores dele no início. Nikolas hoje está ajudando o candidato do PSD ao governo com uma quantidade de material áudio visual que jamais dedicou para o próprio Flávio Bolsonaro”, declarou.
O deputado federal reuniu representantes de entidades que representam as forças de segurança para tratar sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 40/2024. Parado há quase dois anos na Assembleia Legislativa (ALMG), o texto garante a revisão anual dos vencimentos de bombeiros e policiais civis, penais e militares de acordo com a inflação. Uma reunião na Cidade Administrativa junto à Secretaria de Governo (Segov) foi marcada para a próxima sexta (24) para discutir o assunto.
“Mesmo eu sendo amigo, policial militar e deputado do mesmo partido, nem eu ou o Sargento Rodrigues fomos procurados para conversar sobre as forças policiais ou, pior, a respeito de apoio ao Mateus Simões. Isso não é uma crítica, apenas um relato de como se dá o desdobramento interno, pois sendo ele do PL, de direita, um cara conservador, as pessoas vinculam a minha imagem à dele e questionam, por exemplo, porque nós (eu, Sargento Rodrigues...) permitimos que o Nikolas escolhesse se aproximar de alguém tão ruim para a segurança pública”, pontua.
Leia o posicionamento na íntegra
Eu conheço o Nikolas desde 2018. Antes do sucesso dele, tínhamos amizade. Ele é um quadro muito importante para o partido e que traz a juventude consigo.
A opção de conduta dele hoje é de tomar decisões pensando muito de maneira solo. O Nikolas de hoje é alguém que não busca a opinião de nenhum dos deputados que são membros do movimento Direita Minas e nem mesmo aqueles que foram os grandes apoiadores dele no início.
Nikolas hoje está ajudando o candidato do PSD ao governo com uma quantidade de material áudio visual que jamais dedicou para o próprio Flávio Bolsonaro.
Mesmo eu sendo amigo, policial militar e deputado do mesmo partido, nem eu ou o Sargento Rodrigues fomos procurados para conversar sobre as forças policiais ou, pior, a respeito do apoio ao Mateus Simões.
Isso não é uma crítica, apenas um relato de como se dá o desdobramento interno, pois sendo ele do PL, de direita, um cara conservador, as pessoas vinculam a minha imagem à dele e questionam, por exemplo, porque nós (eu, Sargento Rodrigues...) permitimos que o Nikolas escolhesse se aproximar de alguém tão ruim para a segurança pública. Eu entro em um batalhão da PM, por exemplo, e sou cobrado pelas escolhas dele, pois a imagem que as pessoas têm é que estamos sempre em contato e tomando decisões juntos.
Então, eu estou aqui apenas pontuando fatos: Nikolas tem a sua própria forma de fazer as coisas. Por exemplo, quando eu estava como pré-candidato ao Senado indicado pelo próprio Bolsonaro, tentei marcar um encontro com ele depois de visitar o presidente e fui ignorado, inclusive o Senador Cleitinho relatou que passou o mesmo em relação ao governo (penso, no meu caso, que o meu perfil deve ser excessivamente bolsonarista, mas eu vou continuar sendo assim).
Não concordo com apoiar Mateus para o governo e acredito que Nikolas seguirá fazendo um trabalho em defesa do atual governador (melhor do que a equipe de marketing do governo de Minas). Agora, vai tentar convencer a segurança pública que Mateus é a melhor opção para os policiais…
Contra esse argumento, pesa um histórico enorme a seu desfavor. Acredito que nem todos os seguidores e nem todo o marketing do mundo serão capazes de convencer os policiais que focinho de porco não é tomada.
Eu defendo uma união da direita em defesa da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro presidente e, para isso, precisamos de um nome forte para Minas e penso que Mateus não é esse nome.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.



