Policiais penais de Minas adotam ‘estrita legalidade’ e cobram recomposição salarial; entenda efeitos
Categoria quer reajuste superior aos 3,62% oferecidos pelo governo de Romeu Zema; percentual abre nova crise entre Executivo e forças de segurança

Policiais penais de Minas Gerais decidiram, nesta terça-feira (21), que vão adotar o regime de estrita legalidade para pressionar o governo de Romeu Zema (Novo) a conceder recomposição salarial de índice maior que os 3,62% atualmente propostos. Na estrita legalidade, os oficiais cumprem à risca o que está determinado na lei. A avaliação de representantes da categoria é que a adoção do modelo impacta nos serviços prestados pelas tropas, uma vez que, segundo eles, não há efetivo suficiente.
A adoção da estrita legalidade foi definida durante reunião da categoria na Praça da Assembleia, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Representantes de diferentes forças policiais do estado estão na Casa Legislativa nesta terça a fim de protestar contra os termos do projeto de recomposição de 3,62%. O texto já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Parlamento e, agora, está sob análise do comitê de Administração Pública (APU).
Segundo Jean Otoni, presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Estado de Minas Gerais (Sindppen-MG), os salários da categoria estão defasados em 41%. Ele se queixou da falta de pontes de diálogo com o governo de Minas.
“Com poucos policiais penais, não tem como tirar todos os presos para o banho de sol. Vamos fragmentar essa situação para manter a ordem e a paz”, apontou.
A reportagem questionou a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG) sobre a decisão dos policiais penais de adotar a estrita legalidade. Se houver resposta, este texto será atualizado.
Emenda rejeitada
Nesta terça, durante a tramitação do reajuste de 3,62% na CCJ, o deputado Sargento Rodrigues (PL) propôs emenda para recompor, em 10,67%, os vencimentos dos militares. A sugestão acabou barrada.
O Palácio Tiradentes e lideranças das forças policiais estão em rota de colisão desde 2020, quando Zema vetou dois aumentos escalonados nos salários das tropas. No ano passado, sindicatos calcularam que a corrosão inflacionária nos vencimentos, medida entre 2015 e 2022, demandaria recomposição salarial de 35,44%.
Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.



