PGR nega definitivamente delação de Daniel Vorcaro
A defesa do ex-banqueiro tentava pela terceira vez conseguir o benefício; a negativa ocorre em meio a divulgação de relatório da PF que traz uma série de referências ao próprio procurador-geral Paulo Gonet

A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou definitivamente uma nova tentativa de acordo de colaboração premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Após a terceira investida da defesa do empresário, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que não há margem para avançar nas negociações.
A decisão ocorre após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar, nesta terça-feira (1º), o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que detalha relações mantidas por Vorcaro com autoridades e uma suposta rede de influência em diferentes instituições da República.
Vorcaro havia manifestado novamente interesse em fechar um acordo durante depoimento prestado à PF na última sexta-feira (28). Na ocasião, o ex-banqueiro foi ouvido no inquérito que investiga se ele manteve relação com dois ex-supervisores do Banco Central que são suspeitos de receber vantagens indevidas e atuar em favor do Banco Master durante a crise que levou à liquidação da instituição.
A oitiva, que durou cerca de quatro horas, foi realizada por videoconferência a partir da Papudinha, em Brasília, onde o empresário está preso.
Após o depoimento, os advogados Sérgio Leonardo e Daniel Bialski afirmaram que o cliente estava disposto a prestar esclarecimentos “mais amplos e aprofundados” caso fosse assegurada a possibilidade de colaboração.
A estratégia representava a terceira tentativa da defesa de negociar uma delação. Os advogados vinham trabalhando para reconstruir o diálogo com a PF e a PGR. Além de tentarem uma reunião com o ministro André Mendonça, relator das investigações do caso Master no Supremo, para pedir vista de todos os processos e cautelares relacionadas ao seu cliente.
As duas tentativas anteriores já haviam enfrentado resistência da Polícia Federal e da Procuradoria. Entre os principais entraves apontados nas negociações estavam a avaliação de que Vorcaro não havia assumido efetivamente os crimes investigados, a ausência de fatos inéditos e as divergências sobre a devolução dos recursos supostamente desviados.
Nos bastidores, o círculo próximo a Vorcaro diz que o ex-banqueiro sabia que os investigadores estavam em posse de documentos e provas fundamentais para o processo, mas ainda assim não quer entregar alguns personagens para a investigação.
A Radio Itatiaia entrou em contato com a defesa de Vorcaro, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto.
Relatório revela menções ao próprio Gonet
A negativa definitiva ocorre em meio a um novo capítulo da investigação. O relatório da PF tornado público nesta terça-feira traz uma série de referências ao próprio Paulo Gonet em mensagens encontradas no celular de Vorcaro.
A análise policial não encontrou um contato direto de Gonet salvo no aparelho do ex-banqueiro. As referências ao procurador-geral aparecem principalmente em conversas intermediadas pelo advogado Ciro Soares.
Em uma delas, Soares encaminhou a Vorcaro mensagens que atribuiu a Gonet, entre elas uma em que o interlocutor afirmava estar “na torcida” pelo empresário. Em outra conversa, o advogado disse ao banqueiro que Gonet iria ao evento que o grupo de Vorcaro organizava em Londres.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



