PF: Entidade evangélica movimentou R$ 7,8 milhões e R$ 100 mil foram enviados por Karina e ICB
Unigrejas recebeu ainda R$ 50 mil do ICB e outros R$ 50 mil de Karina Gama, segundo movimentações citadas na decisão de Flávio Dino

Entre as movimentações financeiras suspeitas investigadas na Operação Make Up, aparece a União Nacional das Igrejas e Pastores Evangélicos (Unigrejas), que movimentou R$ 7,78 milhões em cerca de seis meses. A entidade recebeu R$ 100 mil repartidos pela metade entre a conta do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e da própria Karina Ferreira da Gama, proprietária da instituição e da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os dados são do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviados à Polícia Federal (PF) e constam na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino desta quinta-feira (10).
Karina é presidente do ICB e uma das investigadas na suspeita de desvios de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. O caso envolve mais de 50 investigados, entre eles o deputado federal Mário Frias (PL-SP), autor dos recursos.
De acordo com a análise, a movimentação financeira da Unigrejas ocorreu entre 22 de outubro de 2025 e 16 de abril de 2026. No período, a entidade registrou o montante de R$ 3,96 milhões que entraram na conta e de R$ 3,82 milhões que saíram. Desse total, aproximadamente R$ 928 mil foram recebidos em espécie. Os depósitos vieram de diferentes locais do país e somaram mais de R$ 1 milhão.
Além do ICB e de Karina, outros destinatários dos recursos da Unigrejas foi a Igreja Universal do Reino de Deus, que recebeu R$ 157,8 mil, e a Associação Nova Igreja Evangélica Holiness Shalom, que teve o depósito de R$ 150 mil. Entre os pagamentos privados, aparece a Carvalho Hosken Hotelaria Ltda. que levou R$ 102,9 mil.
A nova fase da Operação Make Up foi autorizada por Dino considerar que a operação necessitava de uma nova coleta de provas após a PF apresentar novos elementos obtidos ao longo da investigação. A urgência se deu pelo risco de que documentos digitais, mensagens, registros de edição, arquivos armazenados em nuvem e informações contábeis fossem ocultados, alterados ou destruídos.
Entre os elementos apresentados ao STF estão movimentações financeiras de pessoas, empresas e entidades que aparecem relacionadas ao núcleo investigado. Os investigadores buscam identificar a origem e o destino dos recursos, além de verificar se houve desvios, ocultação de valores ou outras irregularidades.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



