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Em delação, Mansur confirma que fundos da Reag foram usados para pagar propinas de Vorcaro

Em depoimento, Mansur detalhou como fundos administrados pela Reag teriam sido usados em operações ligadas ao Master e mostrou a localização de parte dos recursos que foram enviados para offshores

PorBrasília
Geraldo Magela/Agência Senado

O empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-dono da Reag Investimentos, empresa que prestava o serviço de gestão financeira para o Banco Master, afirmou em acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que fundos administrados pelo empreendimento teriam sido utilizados para ocultar pagamentos de propina feitos por Daniel Vorcaro a autoridades públicas.

As investigações já apontavam para o uso de fundos administrados pela Reag em operações suspeitas. A colaboração busca aprofundar e esclarecer se as estruturas foram utilizadas para retirar recursos do banco e direcioná-los ao patrimônio de Vorcaro ou ao pagamento de vantagens indevidas.

No depoimento, Mansur detalhou aos investigadores como fundos administrados pela Reag teriam sido empregados em operações ligadas ao Master. O empresário também teria identificado pessoas que atuavam como laranjas do ex-banqueiro, além de explicar os mecanismos utilizados para movimentar e esconder os recursos.

As informações foram reveladas pelo jornalista José Marques, da Folha de S.Paulo, e publicadas na quarta-feira (9).

A colaboração acrescentou detalhes sobre o caminho percorrido pelo dinheiro na relação das intituições. Também mostrou a localização de parte dos recursos que teriam sido enviados para fora do Brasil, os quais as investigações já apontavam que parte dos valores relacionados ao esquema teria sido transferida para offshores, empresas registradas no exterior.

As informações de Mansur podem facilitar a recuperação do dinheiro enviado para outros países. Além disso, como parte do acordo firmado com a PGR, Mansur também se comprometeu a pagar multa de R$ 40 milhões.

Entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Central identificou operações consideradas irregulares envolvendo o Master e fundos da Reag Trust . Mansur ficou atuou na Reag até 2025, quando teve que deixar a presidência do Conselho de Administração em 2025, em meio à crise provocada pela Operação Carbono Oculto. Ele também foi alvo de buscas na segunda fase da Operação Compliance Zero.

Delação deve ser homologada por Mendonça

Apesar de o acordo ter sido fechado com a PGR, a colaboração de Mansur ainda precisa passar pelo crivo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. O acordo de colaboração já foi encaminhado ao magistrado, relator das investigações relacionadas às fraudes do Banco Master, mas aguarda homologação.

Essa etapa do processo pelo Supremo atesta que o acordo atende aos requisitos legais e permite o avanço das investigações a partir das informações fornecidas pelo colaborador.

A proposta apresentada pelo ex-dono da Reag reúne ao menos 17 temas e tem Daniel Vorcaro como principal alvo. O acordo foi assinado pela PGR no início deste mês. A Polícia Federal chegou a participar da fase inicial das conversas para uma eventual colaboração de Mansur, mas as negociações não avançaram na corporação.

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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