Dark Horse: CGU apontou suspeita de manipulação de documento e PF fez novas buscas
Decisão aponta indícios de alteração de documentos durante a investigação e cita urgência na coleta de novas provas antes que sejam destruídas, alteradas ou ocultadas

Indícios de que documentos teriam sido produzidos ou alterados depois do início das investigações estão entre os elementos que levaram à realização de novas buscas da Polícia Federal (PF) na Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10). A medida foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a apresentação de novas evidências obtidas em auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU).
A investigação apura suspeitas de desvios de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e envolve mais de 50 investigados. Entre eles estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a decisão, as análises realizadas pela CGU após uma primeira operação policial, em junho deste ano, identificaram não apenas possíveis irregularidades na aplicação dos recursos públicos, mas também indícios de “tentativas posteriores de conferir aparência de regularidade” a fatos que já estavam sob investigação.
Entre as inconsistências apontadas estão contratos apresentados somente depois de pedidos formais dos auditores, arquivos com metadados incompatíveis com as datas registradas nos próprios documentos, notas fiscais emitidas antes da elaboração dos orçamentos e contratos que supostamente deveriam fundamentá-las.
“Foram identificadas situações em que contratos somente foram apresentados após requisições formais dos auditores, documentos exibem metadados incompatíveis com as datas neles consignadas, e há casos em que notas fiscais antecedem a própria elaboração dos orçamentos e contratos que supostamente lhes serviriam de fundamento”, diz trecho da decisão.
Para os investigadores, as inconsistências levantam a suspeita de produção posterior de documentos, modificação de datas ou de acesso a arquivos e criação de justificativas artificiais para tentar dar aparência de regularidade às operações questionadas.
Os indícios teriam surgido após a primeira ação policial, em junho deste ano, e durante o avanço das auditorias da CGU. Esse foi um fator determinante para justificar um novo desdobramento policial. As provas buscadas hoje não existiam ou não eram conhecidas na última busca e apreensão.
“Em outras palavras, parte relevante da prova procurada sequer existia ou não era conhecida quando da busca realizada em junho de 2026”, registra a decisão.
Ao autorizar a nova ação, Dino considerou que a operação não representava uma repetição das buscas, mas uma nova coleta de provas. A urgência se deu pelo risco de que documentos digitais, mensagens, registros de edição, arquivos armazenados em nuvem e informações contábeis fossem ocultados, alterados ou destruídos.
A investigação apura, entre outros pontos, a aplicação de recursos federais repassados ao Instituto Conhecer Brasil por meio de duas emendas parlamentares de Mário Frias. A entidade, presidida por Karina Gama, recebeu R$ 2 milhões provenientes das indicações do parlamentar.
Movimentações financeiras continuaram
Outro elemento relevante para realizar as novas buscas foram informações de relatórios de inteligência financeira, produzidos depois da primeira operação, que apontaram “expressiva movimentação de recursos” envolvendo entidades e empresas vinculadas ao grupo investigado, além de transferências entre pessoas jurídicas relacionadas entre si. Entre elas estão empresas diretamente associadas a Karina Gama.
Para a investigação, a continuidade dessas movimentações pode indicar que as práticas investigadas permaneceram em andamento.
“A persistência dessas movimentações após o início das apurações constitui elemento indicativo de possível continuidade das práticas investigadas”, conclui a decisão.
Por isso, os investigadores consideraram necessário aprofundar a análise de documentos contábeis, registros bancários, instruções financeiras, comunicações internas e eventuais alterações patrimoniais realizadas depois que os envolvidos tomaram conhecimento das investigações.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



