Mário Frias repassou R$ 645 mil à produtora de Dark Horse em dois meses
PF investiga 'lastro financeiro' para que deputado conseguisse realizar as transferências à produtora, já que seu rendimento mensal não é compatível com o valor

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) transferiu R$ 645,4 mil, em menos de dois meses, diretamente para a Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A movimentação foi identificada pela Polícia Federal (PF) e consta na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10).
Segundo a investigação, as transferências ocorreram entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período que coincide com as filmagens da produção. A PF chamou atenção para o volume dos repasses diante dos rendimentos mensais atribuídos ao parlamentar no período, de R$ 44.008,52.
Na representação reproduzida na decisão de Dino, os investigadores afirmam que o envio de R$ 645,4 mil em menos de 60 dias coloca “em questão o lastro financeiro” que teria dado suporte às transferências feitas por Frias à empresa ligada a Karina Gama.
O montante também corresponde a quase metade do patrimônio de R$ 1,356 milhão declarado por Frias à Justiça Eleitoral em 2026.
Na eleição de 2022, quando foi eleito deputado federal por São Paulo, Frias havia declarado patrimônio de pouco mais de R$ 1 milhão. A declaração incluía um apartamento avaliado em R$ 1 milhão e R$ 8.924,92 em conta corrente.
Karina Gama, sócia da Go Up, já mantinha relações com Frias antes das movimentações investigadas. Segundo a apuração, ela participou da campanha eleitoral do parlamentar em 2022, quando uma empresa de sua propriedade prestou serviços. Posteriormente, o Instituto Conhecer Brasil (ICB), também presidido por Karina, recebeu R$ 2 milhões provenientes de duas emendas parlamentares apresentadas por Frias.
Na investigação, a Go Up é descrita como destinatária de recursos provenientes de pessoas e empresas relacionadas ao núcleo investigado. A PF apura possíveis conexões entre essas movimentações financeiras e recursos públicos destinados ao ICB.
Go Up movimentou R$ 19 milhões
Além das transferências feitas por Frias, a PF identificou que a Go Up Entertainment movimentou R$ 19,03 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Desse total, foram R$ 8,95 milhões em créditos e R$ 10,07 milhões em débitos.
O período analisado coincide com as filmagens de Dark Horse, realizadas entre outubro e dezembro daquele ano.
Entre os principais remetentes de dinheiro à produtora aparecem a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, com R$ 2,614 milhões; Marcello de Oliveira Lopes, com R$ 1 milhão; a NTT Brasil, com R$ 750 mil; além dos R$ 645,4 mil transferidos por Mário Frias.
A movimentação envolvendo a NTT Brasil é um dos pontos destacados pela investigação. Empresas ligadas ao empresário Heric Dias, entre elas a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, receberam aproximadamente R$ 700 mil do ICB no âmbito de um termo de fomento financiado por emenda parlamentar de Frias. Posteriormente, a NTT Brasil, também ligada a Heric, transferiu R$ 750 mil para a Go Up Entertainment.
A própria investigação ressalva, no entanto, que não há elementos suficientes para afirmar que os R$ 750 mil enviados pela NTT à Go Up tiveram origem direta nos recursos públicos recebidos do ICB. Para a PF, a proximidade temporal das operações e a semelhança entre os valores são circunstâncias consideradas relevantes e que devem ser aprofundadas na investigação.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



