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Falcão prega equilíbrio sobre STF e Planalto: 'Ideologia é uma coisa e mandato é outra'

Candidato a vice na chapa de Cleitinho Azevedo destacou que o futuro governador de Minas Gerais precisa ter um relacionamento institucional com os poderes e cita dívida do estado como motivo para um comportamento equilibrado

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Falcão e Cleitinho em evento com prefeitos nesta quinta-feira (10)
Falcão e Cleitinho em evento com prefeitos nesta quinta-feira (10) • Rafael Marques/UVfotoevideo

Candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), Luís Eduardo Falcão (Republicanos) comentou sobre o momento atual da política nacional e a crise vivida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Durante agenda de campanha nesta quinta-feira (10), o ex-prefeito de Patos de Minas pregou parcimônia em relação ao cenário no Judiciário e defendeu que quem comanda Minas Gerais precisa ter uma relação amistosa com outros poderes e com o governo federal.

 

“A gente tem que ter muita responsabilidade aqui em Minas Gerais e muito cuidado, porque, infelizmente, pelo tamanho da dívida que nós temos, muitas vezes a gente depende de decisões do STF. A gente não pode se precipitar aqui e, por uma questão de ideologia, ficar fazendo qualquer crítica precipitada que pode prejudicar, como já prejudicou Minas Gerais. A gente teve aqui o governo entrando em um embate com ministro do do STF e com o presidente da República. Muito embora a gente também não seja apoiador do do atual presidente, temos que saber separar as coisas, porque campanha é uma coisa, partido é uma coisa, ideologia é uma coisa e mandato é outra”, afirmou Falcão.

 

Falcão não fez referência direta a nenhuma gestão específica, porém, o último mandato de Romeu Zema (Novo) no Palácio Tiradentes foram marcados por uma postura do governador em rota de colisão com a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto e com frequentes críticas à Suprema Corte, inclusive no âmbito dos julgamentos sobre a trama golpista do 8 de janeiro.

 

Minas Gerais tem uma dívida de mais de R$ 180 bilhões com a União. No momento, o pagamento do débito está parcelado de acordo com as regras previstas pelo Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados e o histórico de negociações envolve diretamente o governo federal e o STF.

 

À Itatiaia, Falcão também falou especificamente sobre o momento do STF com os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes travando uma batalha que tem como pano de fundo o envolvimento de magistrados com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master e artífice da maior fraude financeira da história do país. Ele defendeu a ação do presidente da corte, Edson Fachin ao marcar para a próxima terça-feira (15) a reunião no plenário que pode decidir pela abertura de uma investigação contra Moraes

 

“A crise que a gente tem no Brasil hoje extrapola a eleição. É uma crise gravíssima, talvez sem precedentes em relação ao STF, mas a gente precisa separar a instituição das pessoas. Por isso é que a gente defende que as pessoas sejam investigadas, que o plenário do STF faça isso com a maior rapidez possível, com a maior transparência, algo que eu vejo que parece que vai acontecer através do presidente ministro Fachin”, disse o candidato a vice-governador.

 

Cleitinho próximo aos bolsonaristas

 

Em contraposição ao tom contemporizador de Falcão, Cleitinho Azevedo compareceu ao ato bolsonarista no feriado de Independência do Brasil realizado em Belo Horizonte na última segunda-feira (7). O evento foi marcado por discursos mais incisivos pelo impeachment de Moraes e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), bem como pela eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

 

Questionado sobre os possíveis desdobramentos nocivos da aproximação entre Cleitinho e um dos lados da disputa polarizada e acirrada travada no plano nacional, Falcão disse que o companheiro de chapa não pode negar o histórico de alianças com o bolsonarismo mineiro, mas que faz uma campanha com espaço até mesmo para apoios petistas. 

 

“Acredito que ele (Cleitinho) tem muito clara essa necessidade de equilíbrio. Por outro lado, existe um compromisso pessoal dele, um voto declarado desde o primeiro semestre, tem pessoas ali no PL que defendem o Cleitinho há muito tempo. Então é natural que ele também esteja em agendas de campanha em alguns momentos com essas pessoas. Por outro lado, o Cleitinho recebe, por exemplo, apoio de prefeitos do PT. Então está muito claro que ele trabalha para todos os mineiros, com equilíbrio”, concluiu.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

 

 

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