Russo: persistência de Cleitinho na liderança das pesquisas mostra 'afeto' além do recall
A análise é do cientista político e diretor de inteligência da Quaest, Guilherme Russo, em entrevista exclusiva à Itatiaia veiculada nesta quinta-feira (10)

A manutenção de Cleitinho Azevedo (Republicanos) na liderança da corrida eleitoral pelo Palácio Tiradentes indica que a preferência do eleitorado pelo senador não responde apenas a um "recall" eleitoral, mas também à cristalização de um favoritismo ao Governo de Minas. A análise é do cientista político e diretor de inteligência da Quaest, Guilherme Russo, em entrevista exclusiva à Itatiaia veiculada nesta quinta-feira (10). "Indica que não era apenas um recall e sim um afeto, uma preferência, gostam muito do nome do Cleitinho", pontua.
"Ele, sim, tem um recall, mas esse não é o recall de alguém, digamos, como a de um apresentador de televisão. É um recall de 'eu lembro e gosto dele'. É inegável que Cleitinho tem um grande grupo. Aparece à frente nas pesquisas e tem variado em um intervalo bem pequeno, mas é importante ressaltar que a pesquisa indica que essa vantagem não é suficiente para ganhar no primeiro turno, caso a eleição fosse hoje", destaca.
Outro fator importante para a eleição em Minas Gerais é o alto percentual de indecisos no estado, que está, inclusive, muito acima da média histórica do estado e de demais unidades da federação. "Isso significa que se abre muito espaço para outros candidatos. Temos Kalil e Patrus disputando esse segundo lugar, com 11%. Também, Mateus Simões, atual governador, tentando se tornar mais conhecido e tentando pegar o legado de Zema para si, além de outros candidatos com carreiras consolidadas", afirma.
Embate ideal para Cleitinho
De acordo com Russo, o melhor cenário para Cleitinho no segundo turno seria com um candidato de esquerda ou centro-esquerda, que polarizaria com ele o eleitorado que, hoje, já está dividido entre os dois campos ideológicos. "Pela própria divisão do eleitorado e o fato de novo, do eleitorado saber muito bem como como se sente em relação ao PT. O PT é um partido que sempre pautou muito da política nacional e a mineira. Então, ir com um candidato petista é sempre um cenário mais fácil para um candidato de direita", avalia.
O cientista político ainda frisa que Patrus, que entrou de última hora na campanha para compor o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais, ainda deve crescer nas intenções de voto. "A gente tem um dado muito expressivo sobre o Patrus, que é Patrus como candidato do Lula, o candidato do PT, e ele vai ainda crescer muito naturalmente por conta de ser o candidato de esquerda e esse eleitor de esquerda ainda não saber em todo estado que ele é o candidato do Lula", finaliza.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.




