Moraes cita corrosão da democracia por 'populistas extremistas' e insiste em regulação das redes
'Demoramos para reagir ao ataque dos extremistas políticas', afirmou o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, nesta terça-feira (21)

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, tornou a insistir, nesta terça-feira (21), na urgente necessidade de regulação das redes sociais e propôs ainda a elaboração de uma Declaração de Direitos Digitais pela Democracia pela Organização das Nações Unidas (ONU).
“Há pouco mais de 75 anos, a ONU proclamou a Declaração de Direitos Humanos. Agora há necessidade de uma discussão para a ONU liderar uma Declaração de Direitos Digitais. Não podemos permitir que as big techs continuem sendo terra de ninguém”, afirmou durante a abertura do seminário Inteligência Artificial, Democracia e Eleições, do TSE, nesta manhã.
“As big techs não são empresas de tecnologia, são empresas de publicidade, de mídia e de informação, e precisam ser responsabilizadas como as demais”, acrescentou. Alvo recente do bilionário Elon Musk, proprietário do X, o ministro é um dos principais apoiadores da regulação das plataformas digitais e a defende como única solução para impedir que ondas de desinformação atinjam fatalmente a democracia e afetem novamente as eleições.
“Há décadas lidamos com o desafio de regulamentar o uso da televisão no sistema eleitoral para evitar que esse grande mecanismo de comunicação de massa interferisse nas eleições. E houve regulamentação. Por que não podemos regulamentar as redes sociais?”, indagou.
“Nós, que acreditamos na democracia, demoramos para reagir a esse ataque coordenado, estudado e feito competentemente por extremistas radicais e extremistas populistas que pretendem corroer a democracia por dentro”, afirmou. “A sudas palavras que eles mais usam são 'liberdade' e 'democracia'. Liberdade para fazer o que bem entendem, e democracia para aqueles que eles querem no poder, solapando todas as regras tradicionais ocidentais. É absolutamente urgente e necessário que as autoridades se unam pela regulamentação”, declarou.
Presidente da Corte Eleitoral durante o maior ataque à democracia brasileira, o ministro Alexandre de Moraes dá adeus ao tribunal no próximo mês, quando será substituído pela presidente eleita, ministra Cármen Lúcia.
Proposta paralisada no Congresso. O ministro Alexandre de Moraes elogiou o Congresso Nacional pela proposta de lei que propõe um método de combate à disseminação de notícias mentirosas no país. “A União Europeia deu um grande exemplo nesse sentido, e outros países vêm discutindo essa questão. No Brasil, o Senado Federal aprovou o projeto de lei que hoje se encontra na Câmara”, citou. O texto, entretanto, foi engavetado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Sem consenso entre os parlamentares para ir à votação em plenário, a matéria deverá ser reanalisada e reescrita a partir de um grupo de trabalho que Lira prometeu criar ainda neste primeiro semestre, mas, que ainda não foi instituído.
Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.



