Mercosul: Brasil quer ampliar sistema de pagamentos em moedas locais
Sistema atual processa menos de 4% das transações entre os países e precisa de melhorias, avalia secretária do Ministério da Fazenda

O Brasil assume a presidência pro-tempore do Mercosul nesta terça-feira (4), quando representantes dos países que compõem o bloco se reúnem em Puerto Iguazu, na Argentina. Uma das missões do país, que fica à frente do grupo até o fim do ano, é avançar nas melhorias de um sistema de pagamento em moedas locais nas transações realizadas dentro do bloco.
Hoje, já existe um sistema de operações voltado para esse tipo de negociação financeira: o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML). No entanto, de acordo como a secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito, apenas entre 1% e 4% das negociações são feitas por meio dessa tecnologia.
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O objetivo do Brasil é ampliar o uso do sistema internamente e criar condições para que ele possa ser expandido e se tornar multilateral. Segundo a secretária, hoje, o SML só permite transações bilaterais, ou seja, entre dois países ao mesmo tempo.
"O Brasil vai dar continuidade a esse estudo e dar melhorias ao sistema de pagamento em moedas locais. Significa dar um passo a mais com a visão de longo prazo de maior integração financeira ao bloco", explicou.
Tatiana Rosito afirma que o potencial para uso do SML é "muito maior", mas é preciso melhorar questões operacionais e harmonizar as regras entre os Bancos Centrais dos países que compõem o Mercosul. De acordo com ela, outra mudança é a possibilidade de transações entre moedas locais - como o real, o peso uruguaio, o peso argentino e o guarani - e não somente em dólar.
"É preciso ampliar o uso do sistema para abarcar mais transações. Ele [o SML] é bilateral entre os países e a gente pode espera uma multilateralização do sistema, com regras harmônicas para facilitar as transições. O sistema usa o dólar para fazer as compensações, o que ocorre a cada três dias e queremos um sistema que sirva de base para operações em moedas locais, mais fácil, seguro para todos os países e em consonância com as principais regras internacionais e tecnológicas", afirmou.
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Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

