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Ciro oficializa candidatura no Ceará com acenos ao bolsonarismo e ataques ao PT

Ex-ministro elogia nomes do PL, diz que antigos adversários “se juntaram” contra o grupo governista e associa rompimento com Capitão Wagner à lealdade ao irmão, Cid Gomes

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Pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB)
Pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB) • KEINY ANDRADE/Divulgação

O ex-presidenciável Ciro Gomes (PSDB) oficializou neste sábado (16) sua pré-candidatura ao governo do Ceará em um evento marcado pela aproximação pública com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e por ataques ao PT, antigo aliado político.

Em discurso a apoiadores, em Fortaleza, Ciro afirmou que antigos desafetos resolveram “se juntar” diante do que classificou como “o tamanho do problema” no Ceará. O tucano fez afagos ao PL e elogiou o deputado federal André Fernandes (PL), um dos principais nomes do bolsonarismo no Estado.

“Eu escolhi o lado de votar no André Fernandes, que é um jovem talento, que é uma página em branco”, afirmou. “Eu sabia que o PT era corrupto, que o PT era um desastre, como está todo mundo vendo. E aí começamos uma aproximação”, justificou.

O evento reuniu nomes da oposição cearense, incluindo o ex-prefeito Roberto Cláudio e o ex-deputado Capitão Wagner, ambos antigos adversários políticos de Ciro. O tucano anunciou ainda que pretende convidar Roberto Cláudio para ser vice em sua chapa e declarou apoio à candidatura de Wagner ao Senado.

Ao justificar a aproximação com o grupo bolsonarista, Ciro reconheceu resistências do passado e associou parte delas à relação com o irmão, o senador Cid Gomes, com quem rompeu politicamente em 2022.

 

“Eu já fui adversário, não queria nem ouvir falar o que o Capitão estava falando”, afirmou, em referência a Capitão Wagner. “Pelo meu irmão, eu acabei fechando os ouvidos e era contra o Capitão sem nem saber.”

O ex-ministro também fez críticas diretas ao PT cearense e ao grupo político liderado pelo ministro da Educação, Camilo Santana, que apoia a reeleição de Elmano de Freitas. Disse que “as facções tomaram conta do Estado” e acusou adversários de terem nomes “pendurados no STF por falcatrua”.

Em outro momento, afirmou que um dos “pré-requisitos” para ser candidato do PT seria “ter ficha suja” e “ser ligado à facção criminosa”.

A candidatura de Ciro ainda depende de confirmação na convenção estadual do PSDB, prevista para agosto.