Mauro Cid cumpre decisão de Moraes e se apresenta a juiz em Brasília
Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro deve se apresentar toda semana à Justiça para continuar em liberdade provisória

O tenente-coronel Mauro Cid se apresentou no Fórum de Execuções Penais em Brasília na tarde desta segunda-feira (11). Ele era aguardado por um juiz no local.
O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) - que foi solto no último sábado (9) após passar 129 dias em uma cela no Batalhão da Polícia do Exército - cumpre uma das medidas cautelares determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para que possa continuar em liberdade provisória. Pela decisão, Cid deve se apresentar a um juiz todas as segundas-feiras.
Além disso, Cid será monitorado por tornozeleira eletrônica e não pode se encontrar ou comunicar com outros investigados - à exceção de seu pai e sua esposa. Outra medida imposta por Moraes é a restrição às saídas durante fins de semana e no período noturno, além do cancelamento do passaporte.
Cid teve, ainda, o porte de armas de fogo suspenso e não pode mais ocupar cargos dentro da estrutura do Exército - apesar de continuar recebendo salários.
Cid foi ao Fórum de Execuções Penais de Brasília acompanhado do advogado, Cezar Bitencourt, que falou aos jornalistas no local.
"Se apresentou e conversou com o magistrado porque para a liberação precisa se apresentar uma vez por semana", afirmou Bitencourt ao confirmar que, das próximas vezes, ele poderá se apresentar de forma virtual ao juiz.
A expectativa é de que ele preste novos depoimentos à Polícia Federal.
Delação premiada e liberdade provisória
No último sábado (9), Alexandre de Moraes publicou um despacho em que homologa o acordo de delação premiada entre Mauro Cid e a Polícia Federal.
O acordo de colaboração diz respeito ao inquérito das milícias digitais mas também a todas as investigações conexas, entre elas a de tentativa de golpe de estado e do caso das joias sauditas recebidas pela Presidência da República durante o governo Bolsonaro.
Ainda no sábado, o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, diz que a instituição não aceita a delação entre Cid e a Polícia Federal. Questionado sobre o posicionamento do PGR, Cezar Bitencourt desconversou.
"Eu falo nos autos. EU tenho um ministro do Supremo Tribunal Federal, que está orientando a investigação e decidiu que é dessa forma. O Ministério Público usa as suas próprias armas, os meios jurídicos e recursais que eles têm, né? Eu não tenho nada contra o Ministério Público não", afirmou.
Repórter da Itatiaia em Brasília