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CPI do Banco Master vira palco de disputa entre Planalto e oposição após operação da PF

Avanço sobre aliados de Bolsonaro impulsiona ofensiva do PT, enquanto oposição foca em escândalos e conexões com o governo Lula

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A operação recente da Polícia Federal que teve como um dos alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, trouxe à tona no Congresso Nacional a disputa política em torno da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o Banco Master.

Segundo a investigação, foram apreendidos o celular do senador e valores em espécie durante diligências autorizadas pela Justiça. O caso envolve suspeitas de pagamento de vantagens indevidas relacionadas ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. E diante do avanço da investigação, parlamentares do PT passaram a pressionar publicamente pela instalação imediata da CPI.

Em publicação nas redes sociais neste domingo (10), o líder do governo na Câmara, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que a operação “evidencia conexões políticas no coração do governo Bolsonaro” e defendeu que o Congresso dê uma resposta institucional ao caso.

Pimenta sustenta que a investigação revela uma articulação que ultrapassa agentes financeiros e alcança o núcleo político da gestão anterior: “A Polícia Federal esteve na casa do senador, que foi chefe da Casa Civil. Essas conexões mostram uma relação direta com o esquema e precisam ser investigadas com profundidade”, afirmou.

O parlamentar também argumenta que a CPI é necessária para esclarecer a extensão das relações entre o banco e agentes públicos, além de identificar possíveis responsabilidades.

Do outro lado, a oposição reagiu rapidamente e passou a questionar a postura do governo e do PT em relação à comissão. O senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusou o partido de ter tentado barrar a investigação em um primeiro momento e afirmou que a mudança de postura ocorre por pressão política.

Em declarações públicas, ele sinaliza uma ofensiva contrária ao citar supostas ligações entre o banco e figuras associadas ao governo Lula, incluindo menções a ex-ministros e encontros fora da agenda oficial com dono do banco Master, Daniel Vorcaro: "O PT foi contra a CPI, tentou travar, e agora quer posar de defensor da investigação. Não cola. Quem tentou esconder não pode agora pagar de bonzinho”, disse.

Para a oposição, a CPI pode atingir não apenas nomes ligados ao governo anterior, mas também expor conexões políticas ainda maiores e que possam vir a atingir diferentes partidos e gestões.

De um lado, governistas veem na operação da PF uma oportunidade de reforçar a narrativa de irregularidades associadas ao governo Bolsonaro. De outro, a oposição tenta colocar o foco das investigações para incluir integrantes do atual governo e aliados históricos do PT. No entanto, a instalação da CPI depende de muita articulação política, além da decisão das lideranças do Congresso, como o presidente do Senado Davi Alcolumbre.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.