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Lula: tarifa dos EUA sobre trabalho escravo é ataque à China

Presidente afirma que reação do Brasil ao tarifaço será mostrar as “mentiras” que estão sendo usadas para justificar as medidas comerciais

PorBrasília
Lula diz que recebeu país em situação pior que a encontrada em 2003 e compara gestão Bolsonaro • Reprodução

Em entrevista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou que a acusação de que o Brasil não impedia a entrada de produtos fabricados por trabalho escravo, que foi apresentada na investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), para tarifar o Brasil é, na verdade, um ataque direto à China.

“Sobre taxar o Brasil, falando de trabalho, que nós compramos coisa de trabalho escravo de outros países, é o ataque à China, na verdade", disparou o chefe do Executivo em entrevista ao podcast Não Inviabilize, nesta sexta-feira (14).

A declaração foi feita um dia após o governo federal anunciar que vai abrir o processo de reciprocidade ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil.

Lula citou, ainda, que a justificativa apresentada na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana sobre o desmatamento não condiz com a realidade já que o país conquistou a menor taxa em dois anos e meio. Lula afirmou que pretende enviar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma imagem com dados em tempo real sobre a redução do desmatamento no Brasil.

"Eu fui ao INPE na semana passada, em São José dos Campos [SP], e tirei uma fotografia num gráfico em que o Brasil fez o menor desmatamento da história foi feito agora, nesses dois anos e meio. Eu tirei uma fotografia e falei: vou mandar para o meu amigo Trump”, afirmou.

O presidente afirmou, ainda, que a estratégia do Brasil para reagir ao tarifaço será mostrar o que considera serem as “mentiras” usadas para justificar as medidas comerciais.

“Eu já disse: ninguém ganha do Brasil e eu vou vencer os Estados Unidos pela narrativa. Como assim? Eu vou dizer: eles taxaram o Brasil com base em mentiras, inventaram mentiras e taxaram o Brasil”, disse ao podcast Não Inviabilize, nesta sexta-feira (14).

Conversa com Trump

Ao reforçar que pretende conversar diretamente com Trump, Lula antecipou a linha de argumentação que pretende usar para tratar das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, que chegaram a 12% e, posteriormente, a 25% em julho. Segundo o presidente, o objetivo é discutir o tema com “seriedade”.

“Você dizer que vai taxar o Brasil porque você tem déficit comercial é mentira, porque nos últimos 15 anos os americanos tiveram um superávit de US$ 415 bilhões [de dólares]. Mas, ainda assim, eles estão lá fora, não é, presidente? Então, sabe, eu só quero seriedade”, declarou.

Apesar de defender uma relação amistosa com os Estados Unidos, Lula afirmou que as tensões são estimuladas principalmente pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e disse que Trump está ciente da situação.

“Eu não gosto das pessoas que estão fazendo isso. Porque eu já falei para ele que o secretário de Estado dele não gosta do Brasil e não gosta da América Latina”, afirmou.

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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