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Lula pede conversa direta com Trump sobre interferência nas eleições brasileiras

O pedido já foi feito um dia após a aplicação da Lei da Reciprocidade por causa do tarifaço imposto pelos EUA; ainda não há data para a reunião

PorBrasília
Economista vê nova tarifa dos EUA como pressão comercial e alerta para impacto sobre exportações brasileiras • Montagem/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (14) que pretende tratar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível interferência norte-americana nas eleições brasileiras deste ano. O chefe do Executivo confirmou que fez um pedido de contato com Trump, mas ainda não há previsão para a conversa.

“[Trump] sabe que telefonei, mas demora. A gente, quando quer ligar para o presidente, demora, demora um mês para ele marcar, porque ele nunca combina o horário, nunca combina a data, mas vai marcar. Pode ficar certo que vai marcar, e eu espero ter uma boa conversa com ele”, afirmou Lula na entrevista ao podcast Não Inviabilize.

A declaração foi feita um dia após o governo federal anunciar que vai abrir o processo de reciprocidade às tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil de 12% e 25% em julho, criadas com base no pretexto da Seção 301 da Lei de Comércio americana.

Apesar de toda a tensão que se estabeleceu desde então, inclusive com declarações hostis de autoridades americanas abertas e pessoais a Lula, o presidente brasileiro afirmou que a relação entre ele e Trump, desde o primeiro contato, foi “respeitosa”. Agora, Lula afirma que pretende “discutir com seriedade” a questão.

“Estou tentando manter um contato com ele [Trump], eu quero ter uma conversa tête-à-tête com ele. Vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil e, sobretudo, na questão da eleição. (...) Se se meter, vão perder. Quem vier dar palpite na eleição aqui neste país vai perder”, disse.

Lula também reforçou que pretende manter uma relação amistosa com o presidente norte-americano. Segundo ele, Brasil e Estados Unidos comandam as “duas maiores democracias do nosso mundo” e precisam zelar pela imagem que passam, evitando confusões.

“Eu quero conversar porque, veja, o Brasil quer ter uma boa relação com os Estados Unidos. São 201 anos de relação diplomática. Nós não queremos brigar com os Estados Unidos, nem com a China, nem com a Rússia, nem com a França, nem com a Inglaterra, nem com o Uruguai, nem com a Bolívia. A gente quer viver bem com todo mundo. Paz e amor”, completou Lula.

Apesar de defender uma relação amistosa, o presidente brasileiro afirmou que Trump está ciente das tensões envolvendo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o governo do país.

“Eu não gosto das pessoas que estão fazendo isso. Porque eu já falei para ele que o secretário de Estado dele não gosta do Brasil e não gosta da América Latina”, afirmou.

Recado aos adversários

Lula também enviou um recado aos adversários políticos. O presidente chamou os opositores de “negacionistas” e “traidores da pátria” e afirmou que eles não conseguirão concretizar seus planos em relação à interferência nas eleições para que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) vença.

“Quem vier dar palpite na eleição aqui neste país vai perder, porque esse país não abre mão, apesar dos negacionistas, apesar dos traidores da pátria, apesar do meu adversário, teu irmão lá [Eduardo Bolsonaro] falando mal do Brasil, falando infâmia contra o Brasil, pode vir para cá quem quiser, nós vamos derrotá-los e vamos fazer esse país ter muito orgulho da soberania”, disparou.

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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