Antes de atacar a candidatura e pedir a desistência de Viana, campanha de Superman tentou emplacar dobradinha com o senador
A tentativa frustrada de uma campanha conjunta entre o candidato do Novo e o do PSD deu lugar a ataques e críticas nas redes sociais

Na reta final da campanha, o candidato ao Senado Marco Antônio Superman (Novo) voltou sua artilharia para a candidatura de reeleição de Carlos Viana (PSD). Com apoio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o candidato do Novo chegou a pedir que o pessedista desistisse da candidatura e questiona a real adesão do senador às pautas da direita bolsonarista. Semanas antes, no entanto, a campanha de Marco Antônio tentou reiteradamente emplacar uma dobradinha com o, agora, desafeto.
Áudios e conversas obtidas pela Itatiaia mostram integrantes da coordenação da campanha de Superman, incluindo o pai do candidato, tentando marcar agendas e emplacar agendas conjuntas entre o candidato do Novo e Viana.
A ideia era que Viana e Superman formassem uma dobradinha para a disputa pelas duas vagas abertas para o Senado.
“Acho que a nossa união, acho que Carlos e o Marco, é que eu te falei, desde a primeira vez que a gente esteve junto: Marco tem 38 anos, o Carlos com 63, é uma dupla explosiva. Eu acho que é top, entendeu? A gente tem que apostar, porque a gente está apostando na experiência e na juventude. Eu acho que esse é o caminho”, disse um integrante da campanha de Superman para a equipe de Viana em agosto, antes do início oficial das campanhas.
Paulistano e com a carreira construída na Jovem Pan da capital paulista, Marco Antônio Superman desembarcou em Minas Gerais especificamente para se candidatar ao Senado. A chegada do ‘super-herói direitista’ foi acompanhada da tentativa de criar alianças.
Em outro áudio, o mesmo integrante da campanha do candidato do Novo insiste na formação da dupla após uma série de desencontros de agendas que impossibilitaram a campanha conjunta entre Viana e Marco Antônio. Na mensagem, o aliado de Superman sugere um apoio ao pessedista numa eventual votação para a presidência do Senado, pretensão anunciada por Viana durante a campanha.
“Precisamos intensificar o Marco e o Carlos. Eu acho que vai dar uma boa dobradinha aí. Segundo o Carlos, o Marco vai ajudar ele a ser o presidente do Senado no ano que vem. Vamos para cima, vamos mesmo. Não esquece que o Marco pode ser o segundo voto do Carlos aí, apoia isso que é bom para nós todos, tá bom?”, afirmou.
As tentativas de aproximação incluíram, inclusive, reuniões da equipe de Superman com o ex-deputado estadual Toninho Andrada (PSD), coordenador da campanha de Viana.
Em nota enviada à reportagem, a campanha de Marco Antônio informou que conversou com diversos candidatos e que o contato com Viana era natural já que o Novo integra a coligação do PSD no estado. A equipe do candidato alegou que diferenças ideológicas provocaram o subsequente afastamento entre os dois.
“Para Marco Antônio, a responsabilização de ministros do STF, a nulidade dos processos do 8 de Janeiro, o devido equilíbrio entre os Poderes e a defesa da liberdade de expressão não são bandeiras de ocasião. São compromissos que ele defende publicamente há anos, inclusive nas ruas. Já o senador Carlos Viana, em quase oito anos de mandato, deixou para protocolar seu pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes a um mês da eleição. O eleitor mineiro sabe distinguir convicção de conveniência eleitoral. A candidatura seguiu o caminho de quem já estava nessa luta, o que se consolidou com o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro”, afirmou a campanha.
A ruptura
As tentativas de aproximação foram frustradas e as campanhas de Viana e Superman largaram separadas. Ao longo do pleito, o senador esteve mais próximo de seu correligionário, o governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD). Já o candidato do Novo recebeu o apoio de Nikolas Ferreira, esperança do PL para puxar votos na disputa por vagas na Câmara dos Deputados.
As pesquisas de intenção de voto mostram uma briga acirrada pelas duas vagas mineiras no Senado com Marília Campos (PT), Aécio Neves (PSDB), Domingos Sávio (PL), Carlos Viana e Marcelo Aro (PP) disputando na ponta.
Marco Antônio aposta no apoio de Nikolas para surpreender os líderes das pesquisas na reta final. Uma ala mais pragmática de movimentos da direita mineira, no entanto, pregam que os dois votos sejam depositados nas candidaturas de Viana e Domingos Sávio para garantir dois nomes da direita no Senado e não dar chances à petista Marília Campos ou ao ex-governador Aécio Neves, visto como um nome que não encampar causas como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
É neste contexto que, nas duas semanas finais de campanha, Marco Antônio subiu o tom contra Viana, com quem pretendia caminhar nas eleições. Nas redes sociais, o candidato do Novo tem se apresentado como um nome verdadeiramente de direita em oposição ao pessedista.
“Só faço uma pergunta para vocês. Se o Carlos Viana fosse o nome da direita em Minas Gerais, acho que o Nikolas Ferreira e o Flávio Bolsonaro teriam abraçado ele, não? [...] Durante 7 anos e pouco o Viana ficou mentindo para todo mundo falando que ele era o cara da direita equilibrada, que Bolsonaro era extrema direita, aquela história. Por isso, o meu dever é repetir a verdade para vocês. E eu peço que vocês espalhem a verdade onde vocês tiverem a oportunidade, no grupo de família, no grupo do trabalho. Quem é formador de opinião agora vai determinar para onde essa eleição vai na reta final. Por isso que eu estou muito feliz com o apoio do Nikolas, com o apoio agora do Flávio Bolsonaro”, disse Marco Antônio em vídeo publicado em seu perfil de Instagram nesta terça-feira (29).
No dia anterior, na esteira da desistência de Ricardo Salles (Novo) na corrida paulista pelo Senado, Superman pediu que Viana desistisse de sua candidatura para favorecer a dele.
“Eu tenho acompanhado aqui o que o Salles fez lá em São Paulo. Eu queria agora falar do meu coração para vocês e o que eu quero fazer. Carlos Viana, desista da sua campanha para o Senado Federal. Se tem alguém apoiado pela direita aqui em Minas com a força do Nicolas Ferreira e com o apoio e a força do Flávio Bolsonaro, tem um nome, Marco Antônio Superman e o número é 300. Todo mundo sabe da nova caminhada, todo mundo sabe do passado dos últimos quatro anos e o que aconteceu nos últimos quatro anos. Meu objetivo aqui não é atacar ninguém. Meu objetivo aqui é falar a verdade. Quem vota 76% com o PT nos últimos oito anos de mandato, não consegue mostrar para o povo mineiro a confiança e a credibilidade para a gente conseguir tirar o sistema de justiça do pescoço de cada um dos mineiros e de cada um dos brasileiros”, afirmou o candidato do Novo.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



