Mauro Vieira diz que Rubio foi ‘grosseiro e arrogante’ ao atacar um ‘país amigo’
Chanceler brasileiro rebateu as críticas feitas pelo secretário de Estado dos EUA sobre a negociação do tarifaço

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rebateu as declarações do seu par dos Estados Unidos, Marco Rubio, que havia criticado o governo brasileiro após a Casa Branca anunciar novas tarifas de 25% sobre os produtos importados do país, na madrugada desta quinta-feira (16). Segundo o chanceler, o secretário de Estado norte-americano foi “grosseiro e arrogante” ao atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em uma publicação nas redes sociais, Rubio acusou Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos e ter colocado “o próprio ego” à frente de um acordo. De acordo com Vieira, o governo negocia com os norte-americanos desde qua o primeiro tarifaço foi anunciado, em 2 de abril de 2025.
“Desde o primeiro momento, o presidente Lula buscou o diálogo e enfatizou sua disposição de negociar qualquer tema. Nesse sentido, as declarações do secretário de Estado, Marco Rubio, vinculadas na madrugada de hoje nas redes sociais, a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil, são inaceitáveis e ofensivas ao povo Brasileiro. Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo”, declarou o chanceler brasileiro.
Segundo Vieira, os Estados Unidos queriam “abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira”, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros. “Em outras palavras, exigiam uma capitulação”, emendou.
O ministro ainda reiterou dados que o governo argumentava para classificar o tarifaço com injustificado, como o superávit de US$ 424 bilhões acumulados pelos Estados Unidos nos últimos 15 anos de comércio com o Brasil. Ele também afirma que, em 2025, 76% das importações originárias dos norte-americanos entraram no país sem pagar imposto.
“Apesar da motivação política, o governo brasileiro participou ativamente na investigação, pelos canais diretos de interlocução entre governos, desde a abertura do processo, em 15 de julho de 2025 e em 10 de setembro de 2025, demonstrando que as políticas e práticas brasileiras investigadas são legítimas e não prejudicam o comércio dos EUA”, disse.
Novo tarifaço
Nessa quarta-feira (15), Trump confirmou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, após uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) com base na seção 301 identificar uma série de práticas comerciais consideradas prejudiciais aos americanos.
Segundo o USTR, a investigação concluiu que medidas brasileiras em seis áreas restringem os negócios de "agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores" americanos; comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais consideradas desleais; enfraquecimento no combate à corrupção; proteção à propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
Além do etanol e do aço, serão afetados pelo novo tarifaço itens como o açúcar orgânico, máquinas agrícolas, papel e vestuário. Como mostrado pela CNN, o USTR também publicou uma extensa lista de itens importantes no setor de exportação brasileiro que estão isentos da nova cobrança como carne bovina, café, petróleo e laranjas.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.




