Lula silencia diante da crise entre Moraes e Vorcaro, enquanto adversários criticam ministro
Proximidade entre ministro do Supremo e o banqueiro ficou demonstrada com relatório da Polícia Federal divulgado nesta terça-feira (1º)

Enquanto candidatos à direita do espectro político criticaram duramente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes devido à proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, após revelações de mensagens contidas em um relatório da Polícia Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que postula a reeleição, silenciou diante dos fatos que vieram à tona nesta terça-feira (1º).
Até o fim da noite, o chefe de Estado não havia se pronunciado oficialmente sobre o caso, nem por meio de sua assessoria de imprensa, nem por canais oficiais do governo, nem nas redes sociais.
Na mesma toada, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou pela nulidade da ordem dada pelo ministro André Mendonça. O pedido acontece após um relatório da Polícia Federal ter tido o sigilo retirado pelo ministro envolvendo o colega de Corte Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. As mensagens apreendidas mostram, por exemplo, que o empresário tratava como prioridade o pagamento ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Moraes, esposa do magistrado.
Em uma das conversas, o ex-deputado e ex-ministro de Bolsonaro Fábio Faria diz a Vorcaro que “o careca não pode atrasar”. A mensagem foi enviada no mesmo contexto em que o banqueiro transferiu R$ 3,42 milhões ao escritório. O pagamento fazia parte de um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes.
O acordo previa R$ 3 milhões líquidos por mês durante 36 meses, o equivalente a R$ 108 milhões líquidos ao longo do período. A investigação também aponta uma relação próxima de Moraes com Vorcaro, com pelo menos seis encontros entre 2024 e 2025, eventos na Europa e Campos do Jordão.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, por sua vez, que Moraes não tem "condições" de permanecer no cargo e pediu publicamente a renúncia do ministro. “Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição dele continuar sendo ministro”, afirmou Flávio a jornalistas no Senado.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado seguiu na mesma linha dos comentários de Flávio. "Eu acredito que o colegiado deverá se reunir e o Supremo dar uma satisfação à população brasileira que ele estará afastado daquela Corte. Isso é o que o Brasil espera. Do contrário, nós corremos o risco de amanhã a sociedade não mais cumprir decisões judiciais que venham do Supremo Tribunal Federal. Aí nós vamos viver um momento crítico da democracia que é uma insurgência contra as decisões da maior Corte do país", afirmou.
Renan Santos afirmou que apresentaria um pedido de impeachment de Moares, assim como de Dias Toffoli, em coletiva de imprensa em São Paulo. "Nós também vamos ingressar com pedidos de impeachment tanto ao ministro Dias Toffoli quanto ao ministro Alexandre de Moraes. O que quero deixar claro, em ambos os casos, é que o senhor Davi Alcolumbre está sentado nesses pedidos de impeachment", afirmou Renan. "Coloque para andar algum dos pedidos, que não seja o nosso, qualquer um. Se você assim não o fizer anunciou que estou indo ao Amapá para fazer campanha contra seus aliados políticos no estado. Vou fazer campanha contra todos eles no estado dele. É uma agenda que envolve o Brasil, ministros do STF que participaram do maior esquema de corrupção", acrescentou.
O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), subiu ainda mais o tom e pediu a prisão de Moraes. “A PF acaba de demonstrar que o Min. Alexandre de Moraes editou o contrato do escritório da esposa com o Master, às 23h04, no mesmo sistema que ele usa para despachar processo. E tem mais: Moraes teria pedido proteção para o Vorcaro diretamente ao PGR e ao diretor da PF”, disse.
O candidato do Avante à presidência da República, Augusto Cury, defendeu que o ministro Alexandre de Moraes seja investigado pela sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em nota, divulgada nesta terça-feira, o presidenciável ressaltou que o magistrado deve explicações e afirmou que, se eleito, seu governo não dará blindagem a autoridades. “Quem tem mais poder deve mais explicação. Do presidente da República ao trabalhador mais humilde, onde tem indício tem que ter investigação, e a lei não pergunta o cargo de ninguém. No meu governo não haverá blindagem para ninguém, começando por mim. Quem paga a conta da desconfiança é o cidadão comum, que é o pagador dos impostos, ele quer explicações", disse Cury.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.





