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Cury defende investigação contra Moraes: ‘Lei não pergunta o cargo’

Candidato do Avante afirmou que, se eleito, seu governo não dará blindagem a autoridades investigadas

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Augusto Cury em debate na TV Band
Augusto Cury em debate na TV Band • Renato Pizzutto/Band

O candidato do Avante à presidência da República, Augusto Cury, defendeu que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), seja investigado pela sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em nota, divulgada nesta terça-feira (1º), o presidenciável ressaltou que o magistrado deve explicações e afirmou que, se eleito, seu governo não dará blindagem a autoridades.

“Quem tem mais poder deve mais explicação. Do presidente da República ao trabalhador mais humilde, onde tem indício tem que ter investigação, e a lei não pergunta o cargo de ninguém. No meu governo não haverá blindagem para ninguém, começando por mim. Quem paga a conta da desconfiança é o cidadão comum, que é o pagador dos impostos, ele quer explicações", disse Cury.

Segundo investigação da Polícia Federal, tornada pública pelo ministro André Mendonça, Moraes teria editado o contrato de R$ 131 milhões do escritório Barci de Moraes, que tem como sócia-diretora a esposa do ministro, Viviane Barci, com o Master. Em nota, a banca confirmou que o magistrado foi consultado, na condição de marido da sócia, sobre eventuais impedimentos legais para a contratação.

"Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados", diz o escritório.

As mensagens apreendidas mostram, por exemplo, que o empresário tratava como prioridade o pagamento ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Moraes, esposa do magistrado. Em uma das conversas, o ex-deputado Fábio Faria diz a Vorcaro que “o careca não pode atrasar”. A mensagem foi enviada no mesmo contexto em que o banqueiro transferiu R$ 3,42 milhões ao escritório.

O pagamento fazia parte de um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. O acordo previa R$ 3 milhões líquidos por mês durante 36 meses, o equivalente a R$ 108 milhões líquidos ao longo do período

A investigação também aponta uma relação próxima de Moraes com Vorcaro, com pelo menos seis encontros entre 2024 e 2025, eventos na Europa e Campos do Jordão. O Banco Master também teria emitido cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do casal. Moraes também foi consultado por Vorcaro dois dias antes da sua prisão, em novembro do ano passado.

Rede de influência na República

Segundo a PF, o empresário teria montado uma rede de monitoramento e influência em diversas instituições da República, o que permitia obter informações sigilosas.

Na decisão em que derrubou o sigilo do inquérito, o ministro André Mendonça, do STF, ressaltou que essas informações poderiam nortear orientações estratégicas nas negociações econômicas envolvendo o Master e, “até mesmo, na elaboração de sofisticado plano de fuga em caso de insucesso na empreitada delituosa, ou de descoberta de suas atividades pelas autoridades com competência investigativa”.

As análises da Polícia Federal (PF) apontaram que Vorcaro teve acesso antecipado a procedimentos investigatórios e apurações em curso na 10ª Vara Federal do Distrito Federal e na diretoria do Banco Central (BACEN), buscando intervir junto às autoridades responsáveis pelas decisões.

Na mesma decisão em que derrubou o sigilo do inquérito, Mendonça definiu que o caso deve ser analisado de forma presencial e pública pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em data ainda a ser agendada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

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