Lula reage à crise no STF e acelera mobilização da campanha
PT convoca militância para ações neste domingo em meio à preocupação com o avanço de Flávio Bolsonaro e à disputa eleitoral

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca reorganizar a estratégia eleitoral em meio a atritos internos, críticas de aliados e preocupação com o avanço de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas. Como resposta, o Partido dos Trabalhadores (PT) convocou uma mobilização nacional para este domingo (13), com atividades em cidades de todo o país.
A orientação é levar militantes e apoiadores às ruas para participar de bandeiraços, carreatas, caminhadas, panfletagens e rodas de conversa. A mobilização será descentralizada e deverá envolver diretórios do PT, partidos aliados, candidatos aos governos estaduais e ao Senado e movimentos sociais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior tensão dentro da campanha. Dirigentes petistas demonstram preocupação com a disputa mais apertada contra Flávio Bolsonaro e com os efeitos políticos da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
Nos bastidores, integrantes do PT avaliam que a campanha precisa recuperar maior capacidade de mobilização da base e melhorar a comunicação com o eleitorado. Movimentos sociais e sindicatos também reclamam de uma participação menor do que a registrada em campanhas anteriores.
A crise envolvendo ministros do STF também entrou no radar da campanha. Lula tem procurado adotar um discurso institucional e evitar uma defesa direta de integrantes da Corte, numa tentativa de impedir que a disputa eleitoral seja contaminada pelo embate entre os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
O cenário preocupa porque adversários de Lula têm utilizado a crise para atacar o governo e associar o presidente ao Supremo. No ato realizado em São Paulo no 7 de Setembro, apoiadores de Flávio Bolsonaro fizeram críticas a Lula e a Moraes. Ao mesmo tempo, a campanha petista tenta evitar que o tema domine a agenda eleitoral e aposta na mobilização territorial para recuperar espaço junto ao eleitor.
Mobilização será nacional
O PT definiu o domingo como um dia nacional de mobilização. A ideia é que cada diretório organize atividades próprias, adaptadas à realidade de cada município.
A primeira-dama Janja Lula da Silva também participou da convocação e pediu que apoiadores levem bandeiras e adesivos às ruas. O partido afirma que a iniciativa tem como objetivo aproximar a campanha dos eleitores e ampliar o diálogo nos bairros e comunidades.
Lula não deve participar de nenhum dos atos, permanecendo em Brasília sem agendas públicas. No entanto, a expectativa é de que ele faça uma transmissão ao vivo às 18h deste domingo (13), ao lado de dirigentes partidários e integrantes da campanha. O encontro será utilizado para falar sobre a organização da disputa eleitoral e os próximos passos da campanha.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. Com a proximidade da votação, a campanha de Lula tenta transformar a mobilização deste domingo em um teste de força da militância e em uma resposta às dificuldades enfrentadas nas últimas semanas.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



