Juros do cartão de crédito sobem em março e alcançam patamar de 421%, indica Banco Central
Taxa média dos juros do cartão de crédito registrou queda no mês anterior; em fevereiro, índice estava em 412,5%

Contrariando a tendência de queda registrada nos dois primeiros meses deste ano, o juro médio do rotativo do cartão de crédito sofreu alta em março e alcançou o patamar de 421,3% ao ano, segundo o relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito publicado nesta sexta-feira (3) pelo Banco Central (BC).
Essa é a maior taxa média desde dezembro, quando a instituição registrou 442,1%. Em janeiro, o valor sofreu redução e caiu para 419,2%. A tendência se manteve, e o juro do crédito rotativo chegou a 411,9% em fevereiro. Contudo, esse cenário se reverteu, e em março foi registrada elevação de 9,4 pontos percentuais.
O crédito rotativo do cartão detém os juros mais altos do mercado. Ele é aplicado quando o cliente não consegue quitar o valor integral da fatura do cartão de crédito, e a instituição financeira impõe os juros sobre o valor que o consumidor não pôde pagar.
Limite ao rotativo do cartão de crédito
A regra que limita o juro rotativo do cartão de crédito começou a valer no primeiro dia útil de 2024. O teto definido pelo CMN prevê que a dívida total não pode ultrapassar o dobro do valor inicial. Atualmente, sobre as dívidas contraídas antes do início da vigência da regra, as operadoras de cartão chegam a cobrar uma taxa média de juros de 400% ao ano — significa que a dívida inicial mais que quadruplica.
A fixação de um limite para os juros do rotativo do cartão coube à lei que criou o programa Desenrola Brasil no ano passado. A medida foi aprovada pelo Congresso Nacional, e, no Projeto de Lei (PL), havia uma previsão de que o comitê monetário indicasse o valor máximo para a taxa em até 90 dias.
A definição do índice aconteceu dias antes do encerramento do prazo, em 21 de dezembro, quando o comitê estabeleceu o limite de 100%. O Banco Central tentou chegar a um valor que coibisse os juros abusivos e que também compreendesse os desejos das instituições financeiros. Contudo, não houve acordo com as operadoras de cartão.
Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.



