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Como a crise com Flávio Bolsonaro e Vorcaro afeta a estratégia do PL em Minas

Criticas do ex-governador Romeu Zema (Novo) a Flávio Bolsonaro podem ter selado o destino do partido nas eleições de outubro

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Novo atrito entre Zema e Família Bolsonaro vai distanciar o PL do governador e pré-candidato Mateus Simões (PSD)
Novo atrito entre Zema e Família Bolsonaro vai distanciar o PL do governador e pré-candidato Mateus Simões (PSD) • Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados | Carlos Moura e Andressa Anholete / Agência Senado.

A divulgação de mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro feita pelo portal Intercept Brasil na quarta-feira (14) abalou as estratégias da pré-campanha do parlamentar ao Palácio do Planalto. A crise aconteceu um dia após uma reunião da comitiva mineira com a direção nacional do partido ter encaminhado um apoio à pré-candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao Governo de Minas Gerais.

Ao menos segundo a direção da legenda, as tratativas no âmbito estadual não sofreram com a crise nacional a não ser pelo afastamento ainda maior da possibilidade de um eventual apoio à candidatura de Mateus Simões (PSD), ex-secretário e ex-vice-governador nas gestões de Romeu Zema (Novo) em Minas.

O pré-candidato do PL ao Senado por Minas Gerais e presidente do partido no estado até a semana passada, o deputado federal Domingos Sávio defendeu Flávio Bolsonaro e destacou que as opções em Minas seguem mais próximas de um lançamento de um nome próprio ou o apoio a Cleitinho, com Simões mais distante.

“Entendo que as explicações dadas pelo Flávio foram claras e mostram que ele não cometeu nenhum ilícito, não levou vantagem nem concedeu vantagem, não envolveu dinheiro público e ocorreu antes de haver qualquer denúncia ou acusação contra o Daniel. Portanto, Flávio continua firme como nosso pré candidato e vamos trabalhar para tirar o PT e elegê-lo . O PL de Minas continua trabalhando para ter candidato ao governo de Minas que poderá ser do próprio partido ou apoiando Cleitinho e indicando o vice. Na minha opinião não muda nada a não ser o fato de que se já estava difícil compor com Mateus Simões. A infeliz e precipitada declaração de Zema atacando Flávio sem sequer esperar suas explicações torna esta aliança agora praticamente impossível”, disse à Itatiaia.

A troca de mensagens entre Flávio e Vorcaro mostram o senador cobrando o pagamento de valores relacionados à filmagem de uma cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL) intitulada ‘Dark Horse’, com lançamento marcado às vésperas das eleições deste ano. As conversas sugerem intimidade entre o filho do ex-presidente e o banqueiro, hoje preso, e suspeito de ter orquestrado a maior fraude da história do sistema financeiro do Brasil.

Horas após a revelação do material, o ex-governador de Minas e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema foi às redes sociais para repercutir a reportagem e fez duras críticas ao seu, até então aliado, e rival na corrida pelo Palácio do Planalto. “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”, disse o mineiro em vídeo publicado nas redes sociais.

À Itatiaia, o deputado federal Zé Vítor, atual presidente do PL em Minas Gerais, disse que a situação no estado não foi alterada pelo ruído criado em Brasília. “Tudo está no mesmo ritmo. Além das relações nacionais, temos as nossas estaduais. Tudo isso, no seu tempo, será esclarecido”, afirmou o parlamentar.

Na última terça-feira, uma reunião entre a direção nacional do PL e o comando mineiro da legenda terminou com a decisão pela aproximação do partido à possível campanha de Cleitinho. Simões, já escanteado, ficou ainda mais distante de contar com o apoio da legenda bolsonarista após os eventos envolvendo Zema, de quem era vice-governador.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.