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Janja associa discurso 'red pill' ao avanço da violência contra mulheres

Primeira-dama afirmou que comunidades digitais 'desumanizam mulheres e meninas' e transformam 'machismo em entretenimento'

Por, Brasília
A primeira-dama, Janja
A primeira-dama, Janja • Tânia Rêgo/Agência Brasil

A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, afirmou nesta quarta-feira (20) que o discurso “red pill” e a chamada “machosfera” ajudam a impulsionar a violência contra mulheres ao transformar misoginia em entretenimento nas redes sociais.

“Isso me preocupa imensamente, porque transforma machismo em entretenimento e, mais do que isso, monetiza o ódio às mulheres”, disse Janja durante reunião do Comitê Gestor do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, no Palácio do Planalto.

A primeira-dama participou do evento que marcou os 100 dias do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio. Durante a cerimônia, o governo apresentou balanço de ações de prevenção à violência contra mulheres e anunciou medidas voltadas ao ambiente digital.

 

No discurso, Janja dedicou parte da fala a explicar o significado da expressão “red pill”, termo apropriado por comunidades masculinistas na internet a partir do filme Matrix (2000).

“Esse conceito está muito associado ao que a gente chama de machosfera”, afirmou. Segundo ela, grupos que utilizam o discurso “red pill” propagam uma visão segundo a qual homens estariam sendo “submetidos” pelas mulheres.

A primeira-dama recomendou ainda o documentário “Machosfera”, disponível na Netflix, que trata do avanço de comunidades misóginas nas redes sociais. “Não é um documentário fácil de assistir”, disse.

Críticas a Juliano Cazarré

Sem citar nomes, Janja também criticou a disseminação de informações falsas sobre feminicídio que repercutiram a partir de uma entrevista com o ator Juliano Cazarré, durante participação na GloboNews nesta semana. O ator global afirmou que “mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres” no Brasil.

“Quando vemos um ator de uma grande emissora disfarçando machismo em opinião, trazendo informações falsas, baseadas num vídeo do TikTok, dizendo que mulheres matam mais os seus parceiros do que os homens matam suas parceiras, e não sendo desmentido em momento nenhum, isso é inaceitável”, declarou Janja.

Janja afirmou que a violência digital ultrapassa o ambiente virtual e afeta diretamente a vida das mulheres.

“No momento em que o ódio vira algoritmo e entretenimento, ele deixa de ser apenas virtual. Ele atravessa telas, impacta vidas e adoece famílias inteiras”, disse.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio