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A boa e a má notícia para a campanha de Flávio Bolsonaro

Incertezas em relação a novas revelações levam ao recuo da Federação União Progressista, que se preparava para coligação formal com o PL na sucessão presidencial

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Flávio Bolsonaro defende anistia ao 8 de janeiro e critica perseguição política durante Marcha dos Prefeitos • Reprodução

Haverá novas revelações sobre o relacionamento entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro? Essa é a pergunta que se fazem aliados, principalmente a Federação União Progressista, que até vazarem os áudios, se preparava para uma coligação formal com o PL na sucessão presidencial.

Nesta terça-feira, em reunião de planejamento com a bancada federal de seu partido, Flávio Bolsonaro confirmou ter visitado Vorcaro na residência dele, no final de 2025, quando o ex-banqueiro estava sob monitoramento com tornozeleira eletrônica, depois da primeira prisão em decorrência das fraudes contra o sistema bancário brasileiro.

Repercutiu mal, também no próprio campo bolsonarista. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) – que era cotada para compor como vice uma chapa encabeçada por Tarcísio de Freitas (Republicanos) descartada por Jair Bolsonaro (PL) - evitou falar da crise que atinge a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Na saída do evento de lançamento da pré-candidatura de Maria Amélia, dona de uma rede de docerias em Brasília, Michelle afirmou nesta terça-feira que o caso não é assunto dela.

Questionada sobre o assunto, ela não quis se envolver: nem defendeu, nem criticou. “(Sobre) Flávio, você tem que perguntar pra ele”, declarou.

Além da insegurança de aliados que integram a pré-campanha de Flávio Bolsonaro – que se contradisse algumas vezes nesse episódio - os dados da primeira pesquisa Atlas/Bloomberg, realizada após a divulgação dos áudios, deixam o campo da direita diante de uma interrogação. Flávio Bolsonaro vinha numa maré de otimismo em torno da imagem que se construía de um “Bolsonaro moderado” e jovem. Com a nova pesquisa, recebeu duas notícias. Uma boa e outra ruim.

A boa é que, apesar do escândalo, o senador segue como protagonista principal do campo da direita, segurando as suas intenções de voto entre eleitores bolsonaristas e os eleitores que não são bolsonaristas, mas são antipetistas. Esse é de fato o principal propósito de Jair Bolsonaro, que precisa manter o controle do campo da direita brasileira para que siga em relevância. Até por isso, o ex-presidente da República abortou as construções que eram feitas pela Federação União Progressista, Valdemar da Costa Neto e líderes evangélicos em torno de Tarcísio de Freitas. Por pressão da família Bolsonaro, Tarcísio de Freitas permaneceu à frente do governo de São Paulo e está fora da disputa presidencial.

A má notícia para Flávio Bolsonaro – e nesse aspecto também para os seus aliados - é que a pesquisa, uma radiografia do momento, mostra que ele perdeu pontos, possivelmente entre eleitores que não são nem lulistas nem bolsonaristas. Os dados sinalizam, para um menor teto de crescimento de Flávio Bolsonaro. Se no levantamento de abril, Flávio e Lula estavam em situação de empate técnico em simulações de segundo turno, hoje, Lula venceria a disputa. Entre os demais candidatos da direita, Renan Santos (Missão) manteve a terceira posição com oscilação positiva de 5,3% para 6,9%. E Romeu Zema (Novo), que tinha 3,1%, agora tem 5,2% e está à frente de Ronaldo Caiado, com 2,7%. Nenhum dos três, pelo momento, apresenta tração para substituir Flávio Bolsonaro.

Em meio aos escândalos do Master e do INN a campanha presidencial se anuncia cheia de altos e baixos. Até por isso, mais do que nunca, as pesquisas tendem a ficar velhas rapidamente ao longo desta campanha.