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Câmara aprova projeto que dá até 15 anos para partidos pagarem multas eleitorais

Texto limita punições a R$ 30 mil, dificulta bloqueio de verbas públicas e é alvo de críticas por 'blindar' legendas contra sanções da Justiça Eleitoral

Por, Brasília
Projeto foi aprovado em votação simbólica no plenário da Câmara
Projeto foi aprovado em votação simbólica no plenário da Câmara • Thiago Cristino / Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (19) um projeto de lei que permite a partidos políticos parcelarem multas eleitorais em até 15 anos e limita a R$ 30 mil as punições por contas desaprovadas. Com apoio de líderes da base governista e da oposição, a 'mini-reforma eleitoral' foi aprovada de forma simbólica no plenário, e agora segue para o Senado.

Pelas regras aprovadas, os débitos dos partidos poderão ser divididos em até 180 parcelas mensais. O valor de cada prestação não poderá ultrapassar 2% da cota mensal do Fundo Partidário recebida pelo partido. Caso a legenda acumule várias punições, a Justiça Eleitoral deverá aguardar a quitação de uma cobrança antes de iniciar outra, quando o total superar 20% da verba mensal recebida pela sigla.

 

A proposta também impede a penhora ou o bloqueio de recursos do Fundo Partidário e do fundo eleitoral para pagamento de dívidas partidárias, e ainda estabelece que o pagamento das multas só começará no ano seguinte ao trânsito em julgado das ações, desde que não coincida com período eleitoral.

Além de alongar os prazos para pagamento, o texto restringe mecanismos hoje utilizados pela Justiça Eleitoral para garantir o ressarcimento de recursos públicos. A proposta impede que diretórios nacionais tenham verbas bloqueadas para quitar débitos de órgãos estaduais ou municipais do mesmo partido.

O texto foi alvo de críticas no plenário, mas apenas quatro deputados se manifestaram contra a proposta: Kim Kataguiri (Missão-SP), Adriana Ventura (Novo-SP), Chico Alencar (PSOL-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS).

O autor do projeto é o deputado Pedro Lucas Fernandes (MA), líder do União Brasil na Câmara. Também assinam a proposta os líderes Isnaldo Bulhões Jr (MDB-AL), e Adolfo Viana (PSDB-BA).

Críticas e defesa

Para o relator do projeto, Rodrigo Gambale (PODE-SP), a proposta promove mudanças “estruturais e necessárias” na Lei dos Partidos Políticos. Segundo ele, o texto busca otimizar a gestão das legendas, garantir segurança jurídica às siglas e adequar as regras de fiscalização aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.

As críticas, porém, domiram a discussão do projeto. “Quando não tem ninguém disposto a defender sua posição de forma firme, veemente, coisa boa muito dificilmente é”, afirmou Kim Kataguiri, ao questionar a ausência de parlamentares inscritos para defender a proposta. O deputado criticou o tratamento diferenciado dado aos partidos em questões tributárias e administrativas. “Se tiver condenação penal, se cometer crime, não vai poder penhorar, bloquear”, disse.

Adriana Ventura afirmou que o projeto “blinda” partidos políticos e enfraquece o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo ela, a proposta cria distorções ao permitir que legendas em processo de fusão escapem de responsabilidades financeiras por irregularidades cometidas anteriormente.

Fernanda Melchionna criticou a autorização para uso do Fundo Partidário no pagamento de multas, juros e dívidas. “O cara mal utiliza o dinheiro, é multado e julgado e o dinheiro público vai pagar?”, questionou. A deputada também atacou o parcelamento das dívidas em até 15 anos. “O pobre do povo tem cheque especial e precisa pagar senão tem juros, e os partidos terão 15 anos”, afirmou.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio