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Igreja Lagoinha Belvedere apaga redes sociais em meio a caso Master

Filial da igreja evangélica não é mais encontrada nas redes sociais. Cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro e também preso na Operação Compliance, Fabiano Zettel era pastor na unidade

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Fabiano Zettel durante culto na Igreja da Lagoinha, em Belo Horizonte
Fabiano Zettel durante culto na Igreja da Lagoinha, em Belo Horizonte • Reprodução/ YouTube

A Igreja Lagoinha Belvedere excluiu seus perfis nas redes sociais em meio à polêmica do Banco Master. O templo tinha como um de seus pastores e investidores o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, preso pela segunda vez no âmbito da Operação Compliance em 4 de março. A primeira detenção se deu em janeiro quando o empresário tentou embarcar para a Europa e a Polícia Federal (PF) o impediu sob suspeita de tentativa de fuga. 

 

Embora o site da igreja continue no ar, a reportagem tentou entrar em contato com o templo via telefone nesta quarta-feira (18) e não foi atendida. No Instagram, o perfil da Lagoinha Belvedere não é encontrado no endereço antes utilizado. 

 

Dois meses depois, ele voltou à cadeia. Dados enviados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e revelados pelo jornal O Globo mostraram que Zettel movimentou quase R$ 100 milhões entre junho de 2021 e janeiro de 2022 em operações incompatíveis com a renda declarada pelo empresário, avaliada em cerca de R$ 66,7 mil.

 

Vorcaro e o cunhado têm atuação conjunta em diversos empreendimentos. Fabiano é casado com Natália Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro. Ele já atuou como diretor da Super Empreendimentos, empresa citada no âmbito da liquidação do Master e também nas investigações do uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro pelo crime organizado.

 

O caso Master

 

Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por uma crise de liquidez no retorno dos investimentos feitos na instituição. O BC entendeu que houve violações às normas do Sistema Financeiro Nacional na forma como a empresa de Vorcaro atuava no mercado.

 

Concomitante ao processo de liquidação, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar fraudes bancárias e emissão de títulos falsos ou sem liquidez. As ações de investigação e a análise do caso no Supremo Tribunal Federal desenrolaram uma série de desdobramentos políticos 

 

Com um modelo de negócios baseado na venda de títulos de renda fixa com muito retorno aos investidores mas com baixíssima liquidez, a liquidação do Banco Master renderá ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) seu maior rombo na história

 

Os meses que antecederam a liquidação do Master foram marcados pela ação do BC para impedir a venda da instituição para o Banco de Brasília (BRB) e, posteriormente, para a Fictor. Ambas as transações foram avaliadas como formas de resgatar a empresa de Vorcaro.

 

Todo o imbróglio é permeado por suspeitas de alinhamento de Vorcaro e seus sócios com autoridades de alto escalão nos três poderes da República. 

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.