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Homem-bomba do STF disputou cargo de vereador, ganhou 98 votos e saiu com dívida de R$ 500

Na noite desta quarta (13), Francisco Wanderley Luiz detonou uma série de explosivos entre a Corte e um estacionamento próximo à Câmara dos Deputados. Ele morreu após detonar um deles na própria nuca

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Francisco Wanderley da Silva, o TiÜ França • Reprodução

Francisco Wanderley Luiz, o homem-bomba que tentou explodir o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (13), foi candidato a vereador de Rio do Sul, em Santa Catarina, em 2020. Na ocasião, ele disputou o cargo pelo Partido Liberal (PL) — à época, o ex-presidente Jair Bolsonaro ainda não estava filiado à sigla.

Apesar do número de urna ter sido fácil (22222), “TiÜ França” ganhou apenas 98 votos naquela eleição. Isso correspondeu a 0,29% do total de votos válidos da cidade naquele pleito, longe do necessário para conquistar uma vaga.

No fim, Francisco Wanderley chegou a ter uma dívida de campanha de R$ 500. Consta no sistema da Justiça Eleitoral que tal gasto (o único de toda a campanha dele) foi com serviços contábeis.

Na noite desta quarta, o catarinense detonou uma série de explosivos entre um estacionamento próximo à Câmara dos Deputados e o STF. Uma das bombas chegou a ser lançada em direção à marquise da Corte.

1. Foram ouvidas duas explosões no sentido do estacionamento do Anexo 4 da Câmara dos Deputados.

2. O segurança, então, notou que Francisco se aproximou e ficou parado em frente à estátua da Justiça.

3. Francisco portava uma mochila e tinha atitude suspeita em frente ao monumento.

4. Francisco colocou a mochila no chão, tirou um extintor e uma blusa de dentro e lançou contra a estátua.

5. Depois disso, Francisco teria tirado artefatos da mochila.

6. Com a aproximação dos seguranças do STF, Francisco abriu a camisa e os advertiu para não se aproximarem.

7. Segurança relata que viu um objeto semelhante a um relógio digital, já acreditando ser uma bomba.

8. Francisco pega um extintor, desiste e o coloca no chão.

9. Francisco lança de dois a três artefatos, que estouram logo na sequência.

10. O segurança, que estava sozinho, pede reforço.

11. Francisco deita no chão, acende último artefato, coloca na cabeça com um travesseiro e aguarda a última explosão.

O episódio aconteceu momentos após a sessão plenária do STF desta quarta ser finalizada. Ao menos duas explosões foram registradas. Ministros e servidores foram retirados do Supremo por seguranças.

A Polícia Federal, que abriu um inquérito, já trata o caso como um ato terrorista. Francisco chegou a compartilhar em redes sociais ameaças de bomba. Em uma das mensagens ele mostrou que chegou a entrar no plenário do STF. Não há confirmação da data deste registro.

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É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.

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