Governo Lula calcula ter 200 deputados aliados e vê outros 100 em disputa a partir de 2027
Planalto projeta oposição de tamanho semelhante na Câmara e dependerá de negociações com o Centrão para aprovar projetos. No Senado, avanço dos partidos de direita preocupa a articulação política

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) calcula que terá aproximadamente 200 deputados federais fiéis à base governista a partir de 2027. A estimativa da articulação política do Planalto é que a oposição mais resistente ao Executivo tenha tamanho semelhante, enquanto pouco mais de 100 parlamentares permaneçam sem alinhamento definido.
Segundo o levantamento, o grupo considerado em disputa será formado principalmente por deputados de partidos do Centrão, que poderão apoiar ou rejeitar propostas do governo de acordo com o assunto em votação.
A avaliação do Planalto é que esses parlamentares estarão sujeitos a diferentes fatores, como a pressão da opinião pública, os interesses políticos de seus estados e municípios e a liberação de emendas parlamentares.
Com 513 cadeiras, a Câmara dos Deputados exigirá do governo capacidade de negociação para construir maiorias. A base fiel estimada em 200 integrantes não será suficiente, sozinha, para garantir a aprovação de projetos importantes do Executivo.
A nova configuração do Congresso deve tornar a articulação política mais complexa no próximo mandato. Apesar das dificuldades, o governo acredita que poderá conquistar apoio entre os parlamentares que não integram nem o núcleo governista nem a oposição mais radical.
Senado preocupa mais o governo
Se na Câmara o desafio será conquistar o apoio dos parlamentares do Centrão, no Senado a avaliação do governo é ainda mais difícil. O avanço dos partidos de direita na composição da Casa acendeu um alerta no Palácio do Planalto.
Mesmo assim, a articulação política aposta na possibilidade de diálogo com alguns senadores de oposição, inclusive integrantes do PL, partido ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre os nomes considerados mais abertos a negociações estão Efraim Filho, da Paraíba, Reinaldo Azambuja, de Mato Grosso do Sul, e Domingos Sávio, de Minas Gerais. O governo também identifica espaço para aproximação com parlamentares do União Brasil e do Progressistas (PP).
A estratégia do governo será ampliar alianças e negociar apoio conforme o conteúdo de cada proposta. O grupo de parlamentares sem alinhamento permanente poderá ser determinante tanto para aprovar projetos econômicos quanto para avançar em pautas de interesse do Executivo.
O cenário indica que Lula deverá enfrentar um Congresso com maior presença da direita e dependerá de negociações políticas para formar maiorias ao longo do mandato.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



