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Reeleito para quarto mandato, Lula vai encontrar Congresso ‘hostil’ com expansão conservadora

Presidente terá desafios para a governabilidade do país, uma vez que o grupo derrotado no Executivo conseguiu eleger 121 deputados federais e 28 senadores

Por e 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) • Foto: Ricardo Stuckert

Reeleito para um quarto mandato inédito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá desafios de governabilidade nos próximos quatro anos com a expansão de um Congresso Nacional conservador e que promete ser hostil à nova gestão petista. O petista venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma virada histórica de primeiro para segundo turno, com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% do adversário.

A disputa, contudo, precede desafios para a governabilidade do país, uma vez que o grupo derrotado no Executivo conseguiu eleger 121 deputados federais, um quarto das cadeiras da Câmara. O resultado do Partido Liberal foi um recorde histórico, superando a eleição de 109 parlamentares do PMDB em 1990.

No Senado, o partido terá 28 integrantes, formando a maior bancada, e já avisou que vai reivindicar a presidência da Casa Alta do Congresso Nacional. Por sua vez, partidos de esquerda elegeram 124 deputados e 16 senadores juntos. O cenário é ainda mais desfavorável do que o enfrentado por Lula em seu terceiro mandato, quando o presidente precisou ceder ministérios a partidos do Centrão para ampliar sua base de apoio e aprovar projetos.

Durante pronunciamento após vitória, Lula minimizou a força do conservadorismo no Congresso e destacou a necessidade do país ser ‘civilizado’. “Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele é eleito para governador para todos, com base na Constituição e na relação com o Congresso”, disse.

“Já tem gente falando que o Lula vai ter muita dificuldade para governador, porque o Congresso vai ser mais conservador. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que vou trabalhar e aprovar as coisas”, completou Lula.

Na prática, o presidente teria de recorrer à mesma estratégia, distribuindo cargos a partidos de centro e correndo o risco de não ver isso se materializar em votos. Professora da Fundação Getúlio Vargas, Luciana Veiga afirma que o grau de concessão que Lula precisará fazer é maior que a que Flávio Bolsonaro teria de fazer.

"A gente sai das urnas do primeiro turno com o Congresso mais conservador. Então, essa é a cara do Brasil que sai das urnas. Só que, se o presidente fosse Flávio Bolsonaro, a composição seria mais harmoniosa do que no caso de Lula", diz.

Com isso, continua a professora da FGV, o petista é obrigado a fazer mais concessões. "É claro que é saudável distribuir ministérios para partidos da base aliada, mas ministérios para partidos que ficam muito distantes da sua ideologia começam a comprometer mais o seu plano de governo original", afirma Veiga

O cientista político Carlos Ranulfo minimiza o impacto do Congresso mais à direita sobre a governabilidade de Lula. Ele lembra que, em seu terceiro mandato, o petista já enfrentou um Parlamento em que mais de 60% dos integrantes faziam algum grau de oposição a seu governo.

"Não tem muita novidade nisso. O Lula atravessou um Congresso difícil, tanto é que perdeu várias vezes. Ganhou algumas, perdeu outras. O Lula já governou com o Congresso hostil", avalia.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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