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Pai de Daniel Vorcaro pede prisão domiciliar após laudo médico apontar risco de complicação intestinal

O empresário está preso desde maio e apresentou ao STF um relatório médico que aponta histórico de diverticulite e risco de perfuração intestinal

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Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro • Reprodução Linkedin

A defesa do empresário Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apresentou nesta segunda-feira (2) um novo relatório médico ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reforçar o pedido de prisão domiciliar. O documento, elaborado em 28 de outubro, aponta um histórico de crises recorrentes de diverticulite e alerta para o risco de perfuração intestinal, uma complicação considerada grave.

Preso desde maio, Henrique também apresenta problemas cardiovasculares e neurológicos, segundo os advogados. No pedido encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, a defesa afirma que solicita a revisão da prisão desde maio, mas que os pedidos anteriores ainda não foram apreciados.

O relatório foi elaborado pelo coloproctologista Marcos Henrique Rocha Campos, que acompanhou o empresário entre 2005 e 2023. Segundo o especialista, Henrique tem histórico de internações por diverticulite aguda e episódios recorrentes da doença, que, em alguns períodos, ocorreram mais de duas vezes por ano.

O médico relata que determinadas crises foram de difícil tratamento e provocaram dores abdominais persistentes. Diante do quadro, foi indicada uma colectomia laparoscópica, cirurgia para retirar parte do intestino grosso. O procedimento, no entanto, não chegou a ser realizado.

No documento, o especialista alerta para o risco de perfuração intestinal, uma das complicações mais graves da diverticulite. A condição pode provocar dores intensas e exigir atendimento de urgência, com necessidade de intervenção cirúrgica na maioria dos casos.

"Uma complicação da diverticulite considerada muito grave é a perfuração intestinal", afirma o relatório. O médico acrescenta que a situação exige "diagnóstico preciso, rápido e intervenção cirúrgica na maioria dos casos".

Defesa relata crises de saúde durante período na prisão

Segundo os advogados, Henrique, que tem quase 65 anos, sofre de hipertensão e problemas cardiovasculares, além de outras condições que exigem o uso contínuo de medicamentos. O empresário também teria sido internado após um episódio de amnésia em março e recebido atendimento de urgência em abril.

Em agosto, apresentou uma nova crise de diverticulite. Já em setembro, relatou dores frequentes, alterações na pressão arterial e dificuldades para receber medicamentos, conforme a defesa. Os advogados alegam que o sistema prisional não oferece condições adequadas para o tratamento do empresário. Por esse motivo, já haviam solicitado a substituição da prisão preventiva pela domiciliar, com base em razões humanitárias.

A defesa também contesta os fundamentos da prisão e afirma que Henrique está detido desde 14 de maio sem uma nova avaliação sobre a necessidade da medida. Além da prisão domiciliar, os advogados pedem a revogação da prisão preventiva e a análise de um recurso apresentado em julho ao STF.

Na petição, a defesa sustenta que a prisão foi determinada a partir de interpretações equivocadas de mensagens relacionadas a negócios imobiliários. Os advogados negam que o empresário tenha ameaçado ou coagido testemunhas e afirmam que documentos apresentados à investigação afastariam as suspeitas.

"A prisão preventiva do Peticionário carece de base idônea. Os indícios que a embasam decorrem de interpretação isolada e descontextualizada de mensagens, contrariada por fartos elementos documentais", afirmam os advogados.

Prisão ocorreu na Operação Compliance Zero

A prisão de Henrique Vorcaro foi determinada pelo ministro André Mendonça, do STF, no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação, conduzida pela Polícia Federal, apura suspeitas de irregularidades relacionadas ao Banco Master e às atividades de seu então proprietário, Daniel Vorcaro.

Em setembro, Henrique já havia solicitado a revogação da prisão preventiva, alegando inocência e problemas de saúde. O novo pedido busca reforçar os argumentos da defesa com a apresentação do relatório médico elaborado em 28 de outubro.

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