Em carta ao STF, pai de Vorcaro acusa Mendonça de permitir injustiça
Henrique Moura Vorcaro afirma que está preso sem culpa, reclama de restrições à saúde e às contas bancárias e cobra atuação do ministro

Em uma carta encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, recorre a apelos pessoais e religiosos para pedir a revisão da prisão preventiva que cumpre desde maio. No documento, ele afirma estar detido sem culpa, relata o afastamento da família e cobra diretamente o ministro André Mendonça, relator do caso.
Henrique diz que acreditou que Mendonça reconheceria sua inocência e que permaneceria preso por, no máximo, duas semanas. O empresário também afirma ter enviado três cartas ao ministro, mas informa que apenas a primeira foi protocolada junto ao documento encaminhado aos demais integrantes da Corte.
Ao descrever as condições da prisão, Henrique escreve: “Imaginem por dez minutos, os Srs. ficarem em uma prisão como a Nelson Hungria, sem culpa. É fácil colocar uma pessoa na cadeia sem culpa? Imaginem ficar quase quatro meses privados de sua família, de acesso a saúde, de suas contas correntes... sem motivo. Pois no meu caso eu não tenho culpa e sou honesto.”
O trecho integra uma tentativa de sensibilizar os ministros sobre os efeitos da prisão. Em outras partes da carta, Henrique afirma enfrentar problemas de saúde, menciona hospitalizações em 2026 e pede a revogação da medida cautelar. Ele também relata dificuldades relacionadas ao acesso a recursos financeiros e à situação de sua família.
Cobrança a André Mendonça
A crítica mais direta é dirigida a Mendonça, que determinou a prisão de Henrique no âmbito da Operação Compliance Zero. O empresário afirma que confiou no ministro por considerá-lo capaz de analisar os elementos do caso e reconhecer o que classifica como uma injustiça.
Henrique escreveu: “Exmo. Sr. Ministro André Mendonça, quando fui preso estando o Sr. como relator, fiquei tranquilo pois imaginei que iria enxergar a verdade e eu ficaria no máximo duas semanas. Enviei 3 cartas ao Sr., só a primeira estou protocolando aqui. Imaginei que um homem de Deus não iria permitir essa
injustiça. Erraram demais comigo.”
A referência à expectativa de permanecer preso por duas semanas não é acompanhada, no trecho, de uma explicação sobre os fundamentos jurídicos que, na avaliação de Henrique, justificariam a soltura.
A prisão foi determinada em maio, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, Henrique teria participado do gerenciamento de um grupo conhecido como “A Turma”, apontado como responsável por ações de intimidação, coerção e obtenção de informações sigilosas relacionadas a adversários de Daniel Vorcaro.
A investigação também sustenta que o pai do ex-banqueiro teria feito demandas, efetuado pagamentos e solicitado serviços a integrantes do grupo. Henrique nega envolvimento em atividades ilícitas e afirma que as relações mencionadas pela PF eram de natureza comercial.
Defesa contesta acusações
Na carta, Henrique classifica como “absurda” a conclusão de que teria sido mandante ou participante das atividades investigadas. Ele afirma que os documentos reunidos pela defesa demonstrariam a existência de negócios legítimos e nega ter solicitado ameaças contra terceiros.
O empresário também tenta explicar conversas interpretadas pelos investigadores como indícios de atuação em uma estrutura de intimidação. Segundo ele, a cobrança por pagamentos antecipados estava relacionada a dificuldades financeiras de pessoas envolvidas em negócios comerciais.
As declarações fazem parte da versão apresentada pelo investigado. A Polícia Federal sustenta uma interpretação diferente sobre a natureza das relações e dos pagamentos mencionados no inquérito.
Em setembro, a defesa de Henrique apresentou novo pedido de liberdade ao STF. Os advogados alegaram que ele estava preso havia mais de 90 dias sem uma nova justificativa legal e voltaram a mencionar os problemas de saúde, incluindo episódios recorrentes de diverticulite.
Na carta, Henrique encerra o apelo pedindo que os ministros reconheçam o que considera erros na investigação e na decisão que determinou sua prisão. Ele afirma querer responder às acusações em liberdade e recuperar a convivência com a família.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



