Gabriel Azevedo cassado: como é o rito que pode levar à perda do mandato do presidente da Câmara de BH
Processo deve obedecer uma série de procedimentos e pode ser concluído em até 90 dias

O processo que pode levar à cassação do mandato do presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (sem partido), deve ser concluído em 90 dias. Nesta segunda-feira (4), por maioria de votos, os vereadores da capital mineira decidiram abrir o procedimento que pode levar o chefe do Legislativo municipal a perder o cargo e, além disso, ficar inelegível por oito anos.
Ao todo, 26 vereadores votaram pela admissibilidade da denúncia contra Gabriel - outros 14, incluindo ele próprio, se abstiveram.
Três vereadoras foram sorteadas para integrar uma comissão processante - Professora Marli (PP), Janaína Cardoso (União) e Iza Lourença (Psol). O órgão colegiado é responsável por elaborar um relatório que irá defender que o parlamentar seja ou não cassado. Após a divulgação do relatório, uma sessão em plenário é marcada para que todos os vereadores se manifestem. Ao fim, Gabriel Azevedo perderá o mandato caso ao menos 28 vereadores votem pela cassação.
Leia mais:
-
Gabriel pede ao MP que apure ‘denúncia de intervenção’ de Aro e Fuad na Câmara de BH
-
Nely Aquino quer que MP de Minas peça afastamento de Gabriel da presidência da Câmara de BH
-
'Não protejo ninguém, todos devem ser investigados', diz Zema sobre denúncias na Câmara de BH
-
Vice da Câmara de BH vai à Justiça para pôr em votação o afastamento de Gabriel da presidência
Como funciona o rito?
A partir de agora, há uma série de regras e prazos que vereadores devem cumprir em um rito que é regulamentado pelo regimento interno da Câmara e a Lei Orgânica do Município de Belo Horizonte.
-
Passo 1: comissão processante tem 5 dias para notificar Gabriel Azevedo e enviar a remessa da cópia da denúncia e os documentos que a instruem;
-
Passo 2: Gabriel Azevedo tem prazo de 10 dias para apresentar sua defesa prévia, por escrito, indicando as provas que pretende produzir e as testemunhas que pretende arrolar. São aceitas, no máximo 10 testemunhas;
-
Passo 3: comissão processante emitirá parecer em cinco dias, opinando pelo prosseguimento ou arquivamento da denúncia, que será submetido ao Plenário;
-
Passo 4: se a comissão decidir por avançar com o processo de cassação, a presidente será responsável por iniciar a instrução e determinará os atos, diligências e audiências. Nesse momento, são colhidos os depoimentos de testemunhas;
-
Passo 5: após a instrução, abre-se prazo para que Gabriel Azevedo apresente, em até cinco dias, e por escrito, a sua defesa;
-
Passo 6: a comissão processante emitirá parecer final, pela procedência ou improcedência da acusação e pede convocação para sessão de julgamento;
-
Passo 7: na sessão em plenário responsável pela votação do processo de cassação, os vereadores podem se manifestar por até 15 minutos cada um e, ao final, o vereador Gabriel Azevedo ou seu procurador tem prazo de duas horas para se defender perante os colegas;
-
Passo 8: serão feitas votações para cada um dos motivos alegados para a cassação. No pedido assinado por Nely Aquino contra Gabriel, foram cinco. Ele perde o cargo caso ao menos dois terços dos membros da Câmara (28 vereadores) votarem favoravelmente. Se isso ocorrer, ele é cassado;
-
Passo 9: O processo será arquivado, caso não haja maioria qualificada para a cassação do mandato;
Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.
