Lula retorna ao Brasil nesta sexta após reunião com Trump na Casa Branca
Presidente afirmou que não discutiu Pix com o americano, defendeu soberania sobre minerais críticos e negou temor de interferência dos EUA nas eleições brasileiras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retorna ao Brasil nesta sexta-feira (8), após concluir agenda oficial em Washington, nos Estados Unidos, onde se reuniu com o presidente Donald Trump na Casa Branca.
O encontro entre os dois chefes de Estado durou cerca de três horas e incluiu um almoço reservado. Após a reunião, Lula concedeu entrevista à imprensa brasileira e estrangeira, na qual comentou os principais temas tratados durante a conversa.
Entre os assuntos abordados, Lula afirmou que não acredita em qualquer tentativa de interferência de Trump nas eleições brasileiras.
“Não toquei no assunto”
Uma das expectativas em torno da reunião era a possibilidade de os Estados Unidos levantarem questionamentos sobre o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central brasileiro.
Em tom descontraído, Lula contou que levou o ministro da Fazenda, Dário Durigan, preparado para responder eventuais dúvidas do presidente americano. Segundo o petista, porém, o tema não foi tratado.
“Ele não tocou no assunto e eu também não toquei”, disse Lula.
O presidente brasileiro ainda brincou ao afirmar que espera que Trump “um dia faça um Pix”.
Minerais críticos e soberania
Lula também afirmou ter defendido, durante a conversa, a soberania brasileira sobre os chamados minerais críticos e terras raras, recursos estratégicos que despertam interesse internacional, especialmente dos Estados Unidos.
Segundo o presidente, o Brasil está aberto a negociar com empresas de diferentes países, sem preferência específica.
“Eu disse ao presidente Trump que o Brasil está disposto a fazer negócios com empresas americanas, francesas, chinesas, alemãs, japonesas e de qualquer nacionalidade que queira investir e compartilhar recursos conosco”, afirmou.
Copa do Mundo
Durante a entrevista, Lula relatou ainda uma conversa descontraída sobre futebol. Segundo ele, Trump perguntou sobre as chances da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, que começa no próximo mês.
Lula respondeu que acredita no título brasileiro e brincou ao pedir que os Estados Unidos não dificultem a entrada dos jogadores no país.
“Eu falei: ‘Espero que você não anule o visto dos jogadores brasileiros, porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo’”, contou o presidente.
Facções criminosas
Lula também afirmou que a classificação de facções criminosas não foi tema da reunião.
Segundo o presidente, ele defendeu que o combate ao narcotráfico não pode se limitar à repressão policial e que é necessário oferecer alternativas econômicas aos países produtores de drogas na América Latina.
“Como é que você vai fazer um país deixar de produzir cocaína se você não oferece uma alternativa econômica?”, questionou Lula.
Conteúdos produzidos pela redação de Brasília da Rádio Itatiaia



