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Flávio diz esperar Michelle Bolsonaro na campanha e defende viagem aos EUA

Senador minimiza crise no PL, afirma que ex-primeira-dama estará 'na hora certa' e diz ter pedido a Trump o fim da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

PorBrasília
O senador Flávio Bolsonaro (esq.) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (dir.)
O senador Flávio Bolsonaro (esq.) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (dir.) • Waldemir Barreto/Agência Senado e Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O senador Flávio Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (9) que espera contar com a participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026 e minimizou os atritos recentes entre os dois, em meio à crise interna no PL. A declaração foi dada no desembarque no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após viagem aos Estados Unidos.

Eu estou sempre aberto aqui a conversar, sempre esperando o tempo que ela achar que é o suficiente para ela estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim. Ninguém aguenta mais quatro anos de PT. O Brasil não aguenta mais quatro anos de PT. No final das contas tem que estar todo mundo junto para combater esse inimigo do Brasil, que é o atual governo

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à presidência

A fala ocorre após semanas de especulações sobre um desgaste entre Michelle e Flávio. Nos bastidores do PL, porém, aliados da ex-primeira-dama afirmam que ela mantém contato frequente com o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, e não pretende apoiar publicamento o projeto político enteado. Segundo interlocutores, Michelle deve priorizar o acompanhamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em razão do estado de saúde debilitado.

Apesar do recuo na agenda partidária, dirigentes do PL ainda trabalham para convencê-la a disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026. A avaliação interna é que uma eventual candidatura poderia ser compatibilizada com sua prioridade de acompanhar Bolsonaro.

Defesa de viagem aos EUA

Flávio também comentou a viagem que fez aos Estados Unidos para tratar da decisão do presidente Donald Trump de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O senador disse ter se reunido com integrantes do governo norte-americano para tentar evitar a medida e voltou a responsabilizar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela crise comercial

"A gente tem sempre que tentar entender quais são os fatores que podem influenciar uma tomada de decisão do presidente dos Estados Unidos. (...) Fiz a minha parte. Não vi nenhum representante sequer do governo brasileiro para defender o Brasil e os interesses da nossa nação, porque, claramente, a única pessoa que quer essa tarifa no Brasil é o Lula", declarou.

 

A viagem também marcou uma mudança de postura de Flávio Bolsonaro em relação à tarifa anunciada pelos Estados Unidos. Em um primeiro momento, o senador defendia que o governo americano adiasse a aplicação da sobretaxa até depois das eleições brasileiras de 2026, sob o argumento de que um eventual novo governo poderia rever a condução das relações bilaterais.

Agora, após reuniões com autoridades americanas, Flávio passou a afirmar que pediu o cancelamento da medida, alegando que a tarifa prejudicaria empresas brasileiras e consumidores dos Estados Unidos.

A mudança reforçou as críticas de que o senador tem buscado faturar politicamente com o assunto. Publicamente, o governo tem rebatido as alegações da família Bolsonaro, inclusive com falas do próprio presidente Lula, que chegou a classificar Flávio e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, como 'traídores da pátria'.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio