Por que Cleitinho adia novamente o anúncio de sua candidatura?
A indefinição paralisa a formação das chapas e o processo sucessório em Minas. Ao mesmo tempo em que o senador evita tornar-se alvo antes da hora, busca uma saída para não abraçar a polarização, que é contraproducente em segundo turno

O senador Cleitinho (Republicanos) adiou mais uma vez o anúncio de sua candidatura ao governo de Minas, agora para o mês de agosto. E o fez, depois de denunciar na tribuna do Senado, em discurso na terça, 7, que um político de Divinópolis o teria procurado para transmitir-lhe um recado de terceiros: uma proposta em dinheiro para não concorrer.
Cleitinho anunciou que não vai desistir. O caso repercutiu na Assembleia de Minas. A deputada estadual Lohanna França (PV), que também é de Divinópolis, disse que está reportando a denúncia aos órgãos de investigação: ela quer saber quem é esse político, que a parlamentar classifica como potencial autor de abuso de poder econômico.
Cleitinho, que havia em princípio dito que, ao final da Copa, anunciaria a sua decisão, declarou agora que o fará na data final das convenções partidárias, que se iniciam em 20 de julho e se estendem até 5 de agosto. Assim, o senador do Republicanos deu a sua resposta também ao presidente nacional de seu partido, Marcos Pereira (SP), que afirmou sábado, 4 de julho, que a legenda definiu o dia 19 — data que coincide com o final da Copa do Mundo — como prazo máximo para que ele se posicione.
Se não concorrer, o nome será o de Luís Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), disse Marcos Pereira. Falcão se filiou ao Republicanos a convite de Cleitinho, para ser o vice da chapa majoritária. Em conversas com o PL de Flávio Bolsonaro, Cleitinho já avisou que, se concorrer, será em chapa pura, com o vice de sua escolha.
Interlocutores próximos do senador têm convicção de que será candidato. Mas há razões para que Cleitinho mantenha o suspense.
A primeira: lidera as pesquisas de intenção de voto e tem tração para estar no segundo turno da disputa no estado. A segunda razão: ao não decidir, Cleitinho paralisa todo o processo de definições das chapas da sucessão mineira. Interessado em afirmar a sua própria pauta longe da polarização, assim Cleitinho evita se desgastar recusando a aliança com o PL de Minas, ao mesmo tempo em que força o partido de Flávio Bolsonaro a apresentar a sua própria alternativa na sucessão mineira. Por isso, o PL trabalha com a possibilidade de lançar o ex-prefeito de Betim, Vittorio Mediolli, ou o presidente licenciado da Fiemg, Flávio Rosco.
A Federação União Progressista, que detém 20% do tempo de antena e recursos de campanha, também adia a sua política de alianças.
A sucessão mineira segue imobilizada por tantas indefinições também no campo lulista, que ainda não definiu quem será o seu candidato. Depois de setores do PT de Minas abrirem conversas com o MDB e o PSB para uma frente ampla, agora o partido mira uma candidatura própria. O PT quer que a sucessão estadual tenha segundo turno em Minas. Com Cleitinho na disputa, a estratégia será uma. Sem ele, outra.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


