Fachin volta a prometer fim do inquérito das 'fake news' após uso de Moraes contra Mendonça
Inquérito aberto em 2019 e relatado por Alexandre de Moraes foi usado para acusar Mendonça na condução do Caso Master

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, voltou a prometer o fim do famoso inquérito das “fake news”, aberto em março de 2019 e relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. A declaração ocorreu em evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, nesta sexta-feira (4), após a escalada da crise na elite do Judiciário com as novas revelações do caso Master.
Em seu discurso, Fachin ressaltou que os fatos estão sendo apurados, e que sua gestão seguirá os procedimentos legais para “fazer o que é certo, no tempo que a ordem jurídica exige”. “As instituições da República precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da constituição. Nenhum poder acima da lei, e nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor a integridade do Estado de Direito”, disse.
Fachin classificou as revelações como graves, afirmando que elas não autorizam atalhos para punir os envolvidos, impondo um “desafio” à legalidade e ao devido processo. “Os fatos demonstram o acerto e a urgência de três metas de nossa gestão: a adoção de um Código de Ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça”, completou o magistrado.
Nessa quinta-feira (3), Moraes pediu a inclusão do ministro André Mendonça no inquérito das fake news, após o colega de corte retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revela a relação dele com Daniel Vorcaro. Nos documentos, o banqueiro aparece perguntando ao ministro se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela primeira vez, em novembro de 2025.
Moraes acusa Mendonça de “usurpar” a direção das investigações do Ministério Público, direcionamento de investigação contra o magistrado e condução irregular nas tratativas de delação premiada. As suspeitas têm como base relatórios de inteligência da Polícia Federal sobre a atuação de Mendonça nas operações Sem Desconto, que investiga fraudes relacionadas ao INSS, e Compliance Zero, ligada ao Banco Master.
Já nesta sexta, Fachin negou o pedido de Moraes para incluir Mendonça no inquérito. Ele direcionou o caso para um novo processo e deu cinco dias para que o magistrado e a Procuradoria-Geral da República se manifestem.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.




